Por bferreira

Rio - A Operação Puris, deflagrada anteontem pela Polícia Federal, ratifica a excelência da instituição e revela o quão reticulado e bem estruturado está o tráfico de drogas. A prisão de 23 pessoas expôs um espantoso esquema colaborativo entre as maiores facções do Rio e de São Paulo, que escolheram cidades do Sul Fluminense como entrepostos de entorpecentes. Acredita-se que, com a desarticulação da quadrilha, facilite-se um pouco o combate ao crime — mas pouco adiantará interceptar carregamentos de maconha, cocaína, crack e que tais se nada for feito em relação ao mercado de armas e munição.

Dois detalhes expostos pela Puris trazem apreensão e mais desafios para as forças de segurança. Um é a exploração de menores no transporte de drogas. Outro é a participação de internos do sistema penitenciário no esquema. Em relação ao primeiro, infelizmente se faz necessário apertar a fiscalização em terminais e em barreiras na estrada. Em atenção ao segundo, é preciso transferir esses detentos para presídios de segurança máxima, o que já foi pedido e felizmente aceito pela Justiça — mas evidencia o quão porosas são as cadeias comuns, pois bandidos continuam operando seus comandados de dentro das celas.

É urgente, porém, empreender esforços no funesto comércio de armas. Seja monitorando desvios de batalhões ou paióis, seja peneirando nas fronteiras, os sempre laboriosos policiais federais precisam localizar esse vazadouro. A lógica é simples. Fuzil na mão de bandido significa poder de fogo para praticar assaltos, o que gera renda para aquisição de mais armas e drogas, e para invadir territórios rivais. A criminalidade aumenta, a população de bem se encolhe aterrorizada, e a guerra contra o tráfico fica mais distante de um fim.

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