Por bferreira

Rio - Teremos uma Copa do Mundo de futebol, e a prudência pedagógica indica que os calendários devem atender ao evento, até porque isso não acontece com regularidade. Seja para facilitar a mobilidade urbana, seja para diminuir a ansiedade dos alunos, não ter aulas em dias de jogos do Brasil em todo o país e suspender as atividades nas cidades-sede é uma medida prudente e inteligente.

As crianças e os jovens não têm controle para estar alheios a uma competição que, queiramos ou não, envolve as pessoas. A ansiedade criada pelas circunstâncias acaba por perturbar qualquer aprendizado. Então, para evitar perda de tempo e atitudes hipócritas, que sejam suspensas as aulas.

O Conselho Nacional de Educação flexibilizou a Lei da Copa, contanto que sejam cumpridos os 200 dias letivos e as 800 horas-aula durante o ano. Já se conseguiu minimizar a situação quando vemos que os calendários foram antecipados neste ano, iniciando as aulas mais cedo. Tal fato não é novidade para as escolas situadas no Nordeste, onde as férias de meio de ano são ajustadas por causa dos festejos de São João, que marcam a vida local.

Os alunos que estão às vésperas de algum concurso, seja o Enem, sejam os vestibulares — que se estendem de novembro até fevereiro do próximo ano —, podem sair prejudicados porque não favorece a eles, neste momento, uma paralisação tão grande. O interessante para colégios e cursos que lidam com esta situação será orientar os estudantes para, através dos portais disponíveis, fazer revisões de disciplinas. Melhor ainda será trabalhar em pequenos grupos de amigos que podem reservar tempos para repassar o conteúdo do semestre e responder a múltiplas questões de concursos anteriores. Tudo dependerá da responsabilidade e maturidade de cada um. Um jovem à beira de entrar numa universidade deve estar com o desenvolvimento necessário da autonomia para encarar mudanças com tranquilidade e tirar proveito dela.

Outra questão interessante será inscrever-se como voluntário. Muito poderá ser desenvolvido em relação ao aprendizado de línguas estrangeiras, aproveitando-se da presença dos turistas. Encarar essas mudanças como algo normal na vida cosmopolita de um mundo em transformação faz parte da sobrevivência dentro de uma cultura de incertezas.

Hamilton Werneck é pedagogo e escritor

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