Por adriano.araujo

Rio - A marca dos 450 anos do Rio de Janeiro, divulgada esta semana, é uma feliz concepção de um rosto sorridente que brota dos algarismos da efeméride. Cidades são feitas de gente, e festejar este amálgama é a melhor forma de celebração. Extensa programação para a data inclui os tradicionais shows musicais, alguns eventos esportivos e a merecida alusão no Réveillon. Mas o maior presente talvez seja o concurso que elegeu seis diferentes ideias para o melhoramento do espaço urbano e o resgate histórico-cultural da metrópole.

São elas: a recuperação e ocupação da Ladeira da Misericórdia, ‘fóssil’ do Morro do Castelo, um dos marcos da fundação da cidade; um palco para shows de bossa nova — gênero hoje mais executado lá fora do que aqui — na Praia de Ipanema; a pintura de fachadas de edifícios, como forma de integrar os moradores; a reforma da pista de skate da Praça Nossa Senhora da Apresentação, em Irajá; a arborização de Estrada de Três Rios, em Jacarepaguá; e uma exposição de artefatos que façam parte da história da capital, que, com quase meio século de vida, tem incontáveis relíquias que muitos cariocas desconhecem. As ideias, frise-se, vieram de cidadãos comuns e passaram pelo voto popular.

O Rio não é perfeito, e muitos reclamam, não raro com razão, de mazelas, como a mobilidade e a violência. Mas a cidade chegar a 450 anos enseja que ela seja revista, repensada, melhorada. Convidar os moradores a participar desse processo é a festa que interessa, sem desmerecer a vasta e diversificada agenda de eventos. Há muito o que comemorar ao longo de 2015, mas em fevereiro de 2016 — a meses de sediar a Olimpíada — será hora de projetar o que seremos nos próximos 50 anos. Com a ajuda do povo, o Rio reverenciará sua história para viver bem o presente e construir um futuro cada vez mais próspero.

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