Wilson Diniz: Tese: Dilma de novo!

A sequência de fenômenos ocorrida em um ano não desconstrói a tese que a presidenta está reeleita

Por O Dia

Rio - Em março de 2007, escrevi para O DIA o artigo ‘Lula e Dilma’. Abri assim: “Os alemães elegeram a conservadora Angela Merkel, o Chile é governado pela socialista Michelle Bachelet, e na Argentina a senadora Teresa Cristina de Kirchner será eleita presidenta.” Contextualizando, fechei, afirmando: “Lula, chame uma mulher. Chame a Dilma.” Não deu outra.

Dilma foi rotulada como um “poste”, difícil de ser viabilizada. Os analistas tinham dúvidas de que o ex-presidente conseguiria transferir seu patrimônio de 60 milhões de votos para uma pré-candidata desconhecida dos brasileiros. As incertezas do ambiente político favoreciam a candidatura de José Serra, que despontava nas pesquisas com 38% de preferência do eleitorado. Portanto, com percentual técnico com grandes probabilidades de ser consagrado presidente. Discordei na época da tese de que voto de ‘mito popular’ não se transfere.

Nas primeiras sondagens dos institutos de pesquisa, um ano depois, Dilma passou de 3% das intenções de voto para 16%, enquanto Serra sinalizava tendência de queda a taxas crescentes. Ele bateu 38%. A curva em trajetória descendente se consolidou em junho de 2010, quando os candidatos chegaram ao empate de 35%. A vitória da presidenta se consolidou dois meses depois. Ela ficou com 48%, e Serra caiu para 28%. Foi eleita, e a tese dos analistas-torcedores de que voto não se transfere foi desconstruída.

Durante dois anos e meio de seu governo, todos os institutos de pesquisa apontavam que Dilma seria reeleita já no primeiro turno. Em junho de 2013, o fenômeno dos black blocs fez seus índices caírem para 30%. Percentual que levou os analistas a projetar que ela não seria reeleita. Os erros de projeção e o cenário pessimista contagiaram o núcleo dos estrategistas de campanhas da oposição e do PT.

Mas o movimento dos estudantes que ocuparam as ruas do país não tinha representatividade partidária nem fundamentos de variáveis macroeconômicas que sustentassem a queda dos índices. A bolha durou duas semanas. Começou com 1,5 milhão de participantes, minguando para 33 mil. A queda dos índices da presidenta foi um Carnaval fora de época festejado pela imprensa. Em artigo no DIA, rotulei o movimento como manifestações de rua de ‘Eduardo e Mônica’, inspirado na música de Renato Russo. Eduardo, um alienado, e Mônica, politizada, fã do polêmico cineasta franco-suíço Jean-Luc Godard.

A sequência de fenômenos ocorrida em um ano não desconstrói a tese que a presidenta está reeleita. O percentual de intenções de voto (Ibope) segue na faixa constante entre 34% e 37%, e a taxa de resistência está em queda. Estudos acadêmicos comprovam que, numa eleição, quando um candidato atinge este percentual, está eleito. Dilma de novo! Está reeleita. Volto ao tema.

Wilson Diniz é economista e analista político

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