Por felipe.martins

Rio - Muito se tem falado a respeito do bullying. Porém, pouco se tem feito para conter o fenômeno, que atormenta diariamente a vida dos estudantes em nossas escolas. Talvez, o grande entrave seja a ausência de políticas públicas e investimentos na prevenção, que requer medidas emergenciais.

Historicamente, o bullying foi visto como brincadeiras próprias da idade e do amadurecimento dos indivíduos. No entanto, estudos que tiveram início nos anos de 1970, na Suécia e Dinamarca, vêm revelando a gravidade do problema, cujos impactos negativos podem afetar não somente o processo socioeducacional, mas também a saúde física e mental dos envolvidos, especialmente das vítimas. Dependendo da gravidade e do tempo de exposição, podem apresentar uma série de problemas e doenças de fundo emocional.

Estudos alertam que crianças que sofrem bullying são mais propensas a tendências suicidas (mesmo depois de crescidas); a ficar doentes e a ter dores de cabeça e estomacais. Pesquisas evidenciam que vítimas e autores apresentam estado geral de saúde física e mental inferior em relação a indivíduos que não se envolveram em bullying. Ambos tendem a apresentar problemas, como queda da autoestima, da concentração, do aproveitamento escolar, baixa produtividade e uso de substâncias químicas.

Portanto, estamos diante de problema cuja magnitude parece ainda não ter despertado a atenção das autoridades, a não ser em casos extremados divulgados pela mídia ou em envolvimento de familiares.
O bullying deve ser visto como fenômeno que extrapola em muito o âmbito pedagógico. Deve ser visto como problema de saúde pública, na medida em que muitos dos envolvidos necessitam de atendimento médico, psicológico e assistencial, além de medicamentos e internações.

Também deve ser encarado como problema de segurança pública, na medida em que muitas vítimas e autores tendem às práticas delinquentes (gerando medo e insegurança nas escolas e fora dela), aumentando os índices de criminalidade e marginalidade. E também deve ser considerado como problema social, cujos impactos recaem, obviamente, sobre todos os cidadãos.

Nesse sentido, vale lembrar que as tragédias ocorridas em escolas, como de Taiuva (SP, 2003), Remanso (BA, 2004) e Realengo (2010), resultaram danos imensuráveis: assassinatos, suicídios, ferimentos físicos e emocionais, perdas irrecuperáveis. Portanto, é fato que prevenir o bullying é melhor que remediar.

Cléo Fante é pedagoga e consultora internacional na área de bullying

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