Por felipe.martins

Rio - Se perguntarmos às empresas o que elas vêm fazendo para conquistar consumidores, possivelmente a resposta seria: qualidade nos serviços, um bom relacionamento nas redes sociais, SAC que funciona, preços... enfim. E será que falta alguma coisa, além de promover suas marcas e produtos?

Pesquisa feita pelo Ibope/Conecta revelou que os consumidores são conquistados por marcas que vão além do “básico”. Dados coletados em São Paulo, com 1.048 internautas, revelaram que 62% deles trocariam suas marcas habituais por aquelas que tenham participação social. Ou seja: aquelas que atuam realizando melhorias na cidade, promovendo lazer e cultura.

Esta nova estratégia, pode-se dizer, não é apenas mais uma moda. É uma das formas que as empresas encontraram de tornar seus produtos e serviços relevantes, sendo que essas atitudes fogem das promessas vazias, as quais consumidores não aceitam mais. Devido ao fácil acesso às informações e notícias, a transparência tornou-se essencial. Criar confiança junto ao consumidor passou de meros descontos e promoções para ações sociais de impacto.

A maior parte dos entrevistados afirmou que sentiria orgulho de uma marca que promoveria ações culturais gratuitas. Esse altruísmo mostra que o consumidor está cada vez mais consciente do papel social e da importância de ajudar a cidade.

Uma marca que apoia projetos e atua em sua cidade cria um laço estreito com o consumidor, criando mais fidelidade e satisfação que vai além do simples uso. O indivíduo quer que a marca também o represente como cidadão. “Se comprar da marca X, vou colaborar com a cidade também.”

Para as empresas, existe o desafio de representar o consumidor, facilitando que ele ajude de alguma forma o local onde vive. É claro que o cidadão precisa ser representado por marcas e empresas que demonstrem sua boa postura ética e socioambiental. Alguns casos podem ser citados, devido à falta de transparência. Marcas como a Zara, por exemplo, foram denunciadas por exploração de mão de obra.

Resultado: boicotes. Portanto, não é apenas a imagem que conta mais, é preciso ter identidade para agregar valor à empresa e principalmente legitimidade às suas ações.

Bons exemplos devem ser citados. O Boticário está levando cinema a cidades da Bahia; o Itaú tem fundação com inúmeras atividades, como doação de livros. A Samsung conseguiu reduzir o número de suicídio em uma ponte na Coreia. É claro que empresas menores podem pensar “como realizar algo com tanto impacto?”.

Não é preciso fazer algo maior do que cabe ao porte da empresa. Ações simples, como arrecadação de roupas, alimentos, auxílio a instituições, promoção de campanhas como doação de sangue já são de grande valia e ganham destaque. O importante é fazer.

Consumidores sabem quando uma ação é apenas promocional. Porque no momento em que a empresa atua na cidade, todos têm oportunidade de ver o resultado, sentem orgulho de poder fazer parte. O canal de comunicação está mudando: primeiro as marcas entregam um benefício e então podem oferecer o restante. É como se os consumidores quisessem primeiro conhecer a personalidade da empresa, não seus produtos. E aí, quais empresas e marcas estão causando mais que boa impressão?

José Matias é diretor da Redsuns

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