Por bferreira

Rio - O natural é que se suponha que o clima de greves e manifestações que vêm tumultuando a vida nacional não interessa ao governo e muito menos à oposição. Estamos em pleno processo eleitoral, em quadro de normalidade institucional, com as forças políticas ocupadas em formar as alianças com vista ao pleito de outubro próximo. A desestabilização não pode interessar a nenhuma das facções políticas envolvidas na disputa.

No entanto, o fato é que vivemos um clima preocupante. Os próprios sindicatos de trabalhadores perderam o controle da situação; são contestados e desobedecidos. A Justiça do Trabalho perdeu a interlocução legal e formal. A ordem pública é afetada, a população sofre com a falta na prestação de serviços essenciais. Os reflexos na economia nacional não tardam a aparecer, na perda de dias parados, que se somam aos da Copa, que começa semana que vem. O grande evento mundial do futebol já se ressente com desistências de estrangeiros e mesmo nacionais, eventos paralelos ou populares muito contidos. Já estamos com grande prejuízo na imagem do país.

Esses fatos ocupam não apenas as manchetes de nossos jornais, mas estão no mundo inteiro, afetando não apenas o turismo, mas o próprio clima para se investir no Brasil. Como tem acontecido em países que estão com as ruas permanentemente ocupadas, como Venezuela, Argentina, Egito, Turquia e Síria. Ruas cheias e prateleiras vazias nas lojas.

Por isso ou aquilo, o fato é que estamos fugindo da normalidade, da ordem, da paz, do ambiente saudável para o trabalho produtivo, a circulação da riqueza nacional. E pela falta de líderes tanto empresariais como de trabalhadores, de uma classe política respeitada, tudo pode acontecer neste ano complicado. Muitos bons governantes e segmentos da administração pública que apresentam resultados positivos deixaram de ser reconhecidos.

É preciso uma reflexão e uma ação determinada para atender à inquestionável aspiração da maioria da população, que é ordeira e responsável, no sentido de que seja exercida a autoridade necessária para a paz nas ruas e o respeito aos serviços prestados à população. A Copa não pode ser mais desvirtuada do que está e muito menos servir de pretexto para abalar conquistas institucionais, políticas, sociais e econômicas da sociedade. Estamos frágeis diante de uma conjuntura econômica delicada, agravada até pelas condições climáticas desse mundo em transformações de toda espécie.

Esses movimentos não são espontâneos. Há interesses ocultos. Temos de descobri-los e denunciar. Para o bem do Brasil.

Oremos!

Aristóteles Drummond é jornalista

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