Por bferreira

Rio - Na semana que antecede o pontapé inicial da Copa do Mundo, acirram-se as discussões acerca da infraestrutura para a competição e sobretudo sobre o ‘legado’ — sem falar nas manifestações tranca-ruas. Mas há questão que merece igual atenção: o soterramento das finanças dos clubes nacionais, o que compromete o desempenho dos times e paralisa as divisões de base — de onde, em tese, virão os jogadores que disputarão os mundiais da Rússia e do Catar.

O endividamento dos clubes é tamanho que, para sobreviver, cartolas vendem jogadores cada vez mais cedo — há casos em que uma jovem promessa é expatriada aos 16 anos. O êxodo faz do Brasil o segundo país que mais exporta atletas no mundo, atrás apenas da Argentina. A regra se espelha na atual Seleção. No time titular, somente Fred atua em gramados nacionais. A ‘prata da casa’ praticamente desapareceu, e cabe às potências europeias lapidar os talentos. Nas divisões de base dos clubes daqui, não raro flagram-se condições sub-humanas. O Ministério Público do Trabalho notificou recentemente Flamengo, Corinthians e Atlético Paranaense para que ajustem irregularidades — como inexistência de contratos e alojamentos degradantes.

O rombo das contas significa atrasos constantes de salários, o que acaba com o moral de qualquer time, e mina a capacidade dos clubes de trazer reforços. Neste 2014, o nível dos jogos dos estaduais e mesmo do Brasileirão é sofrível. E, pela primeira vez em mais de 20 anos, a Libertadores chega às semifinais sem um brasileiro sequer. Ainda há excelência na Seleção porque o esquema de trabalho é mais ‘eurocentrado’ — abastecido por polpudos patrocínios, frise-se.

O controverso 'padrão Fifa' com que alegadamente se construíram os estádios da Copa ainda não chegou à gestão dos clubes, feudos que parecem resistir a eleições e que avalizam a mesmice nas federações. O governo ajuda com renegociações, mas, sem profissionalismo, transparência, parcerias com o torcedor e senso de oportunidade, pouco se avançará — e o futebol brasileiro poderá atolar-se na mediocridade. Um legítimo gol contra.

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