Por bferreira

Rio - Chamar alguém de ladrão e oportunista é ofensa sujeita a processo, multa e até cadeia. Menos no futebol. Quando um jogador rouba a bola do adversário, é aplaudido; quando intercepta um passe, é elogiado pelo seu oportunismo. Já que o assunto é futebol — e, durante a Copa, o que não é? —, confesso que roubei esta crônica do livro que o Ruy Castro acaba de lançar, ‘Os garotos do Brasil: um passeio pela alma dos craques’ (Foz Editora).

O roubo se limitou ao sumário. Vamos adentrar: ‘Ele, Pelé — disse Edson’: o que um acha do outro e o que achamos dos dois. ‘Enxurrada de amor’: para Zico, sempre como uma primeira vez. ‘O grande capitão’: primeiro, Bellini foi uma estátua. Depois, a estátua se tornou Bellini. ‘Ginga’: Goethe e o almirante Nelson não tinham ginga. Nós temos. E daí? ‘Garrincha x URSS’: a lenda da sua escalação na marra e outras lendas. ‘O garoto atrás do gol’: Garrincha como meu algoz. ‘Heleno’: a estrela apenas piscou. ‘Genealogia dos Máicons’: como terá nascido o primeiro Máicon? E o segundo? E todos os outros? ‘Espermatozoides em campo’: sexo, OK; mas antes, durante ou depois das partidas? ‘Histórias a contar’: notas para uma grande biografia de Ronaldo. ‘Vitória e derrota’: Julinho, grande na vaia. O Maracanã, no aplauso. ‘Torcidas por amor’: antes das facções de guerra. ‘O carrasco e a vítima’: o últimoencontro entre Juvenal e Gigghia. ‘O espírito de porco em ação’: ganhar não é importante; jogar bem, sim. ‘Rumo ao brejo’: eles absorveram nossas qualidades; e nós, seus defeitos. ‘Flamengo 1 x 0 Vasco’: a noite em que Rondinelli garantiu sua eternidade. ‘O próximo Flamengo’: Zizinho superou Fausto e Zico superou Zizinho. Quem superará Zico? ‘Irmão de Nelson’: mas um dia, Nelson foi irmão de Mario Filho. ‘Bofetada da lenda’: e se, entre 200 mil pessoas, só Mario Filho a tiver visto e ouvido? ‘Arubinha sai da crônica para a vida’: incrível, ele existiu mesmo. ‘O complexo de vira-lata’: origem e gênese de uma expressão para sempre. ‘A solidão do goleiro diante do frango’: uma bola fácil pode apagar milhares de difíceis. ‘1970, a Seleção vitoriosa... e amada: “Barbante ball!”, gritava o José Lino. ‘1958, Carnaval em junho’: uma Copa para se morrer de prazer. ‘Os garotos do Brasil’: Sócrates teria muito a lhes contar.

Meninos, eu li o livro do Ruy Castro. Façam o mesmo. As entradas para a Copa no Maracanã esgotaram, mas ainda é tempo de comprar seu exemplar de ‘Os Garotos do Brasil’. Um show de bola, ginga e estilo. Pena que acabe no tempo regulamentar e não tenha prorrogação.

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