Por bferreira

Rio - O fechamento dos Cines Odeon, na Cinelândia, e Leblon não está em sintonia com as novas perspectivas para a projeção pública no mundo. Em grande parte dos países, novas salas de exibição são inauguradas sob uma condição: a modernização da tecnologia. É inconcebível que percamos espaço na implantação do sistema de projeção digital e na salvação dos cinemas de rua. Por quê?

Motivo um: o digital melhora a qualidade da projeção. O que ocorre em algumas salas do Rio chega a ser desestimulante para o espectador assíduo e sobretudo para a formação de um novo público. Cópias escuras, fotografias lavadas e som deficiente transformam qualquer Woody Allen em Frankenstein. Já testemunhei amigos e familiares queixando-se de dores de cabeça à saída do cinema sem perceber que muitas vezes a razão de tal sintoma se deva ao desconforto audiovisual.

Motivo dois: há demanda. As novas salas, que oferecem dignidade ao espectador, são prestigiadas. Um exemplo, aqui mesmo no Rio, é o Cine Nova Brasília, no Alemão, cuja taxa de ocupação ao ano de 53% está acima dos 24% das outras salas. A crise do fechamento se deve única e exclusivamente ao modelo de negócio que, ao não se renovar — seja pela falta de uma política, seja pelos problemas financeiros dos proprietários —, perde o compasso da história e frustra a demanda, que ainda por cima tem a opção cada vez mais crescente de optar pela qualidade dos home-theaters.

Motivo três: o fim dos cinemas de rua ameaça a própria cultura da cidade. Falo aqui da cultura do encontro, da troca, do prazer da vida social que tanto agrada a fluminenses e principalmente a cariocas. Às vésperas das comemorações dos 450 anos, o Rio não merecia perder seus históricos cinemas de rua, patrimônios da cidade. Fica o apelo à Riofilme, às secretarias de Cultura, à Ancine e aos empresários para que não deixem a luz se apagar.

Ricardo Cota é crítico de cinema

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