Beatriz Acampora: Educação sem violência

Cuidar de um ser frágil, que é totalmente dependente do outro, não é fácil

Por O Dia

Rio - A Lei da Palmada, cujo nome foi alterado para Lei Menino Bernardo — em homenagem ao garoto morto pelo pai e pela madrasta no Rio Grande do Sul com uma injeção letal —, foi aprovada pelo Senado dia 4. Nele se comemora o Dia Internacional das Crianças Vítimas de Agressão, criado pela ONU em 1982 para que se possa discutir o assunto em sociedade.

A lei propõe uma mudança na forma de educar os filhos, trazendo em seu texto a seguinte proposição: “A criança e o adolescente têm o direito de ser educados e cuidados pelos pais, pelos integrantes da família ampliada, pelos responsáveis ou por qualquer pessoa encarregada de cuidar, tratar, educar ou vigiar, sem o uso de castigo corporal ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto”.

Os dados acerca dessa temática são alarmantes. Todo dia o Disque 100 recebe centenas de denúncias de agressão contra menores. As queixas são avaliadas, e os pais podem até mesmo perder o pátrio poder.

Como educar sem violência? Cuidar de um ser frágil, que é totalmente dependente do outro, não é fácil. É preciso doação, estar pronto para cuidar incondicionalmente e facilitar o processo do desenvolvimento infantil. Para isso é importante criar relações dialógicas, ou seja, que tenham como base o diálogo, a comunicação assertiva que não desqualifique nem desvalorize.

As crianças são seres em desenvolvimento e precisam de afeto para a construção do autoconceito positivo. Uma educação que tenha como base a violência gera uma aprendizagem de que este é o melhor caminho para lidar com as situações da vida. Além disso, tende a gerar sentimento de inadequação, incompetência e frustração.

A agressividade dos pais ao se relacionar com os filhos pode ocasionar estresse. Quando a agressividade permanece como base da educação e relação, a criança e o adolescente podem apresentar um nível alto de estresse, uma vez que o estímulo estressor continua presente diariamente. As consequências disto para a saúde da criança podem ser avassaladoras.

No entanto, quando a criança adoece, por uma questão psicossomática, são os próprios pais que dedicam tempo para os cuidados em função da recuperação da saúde. Portanto, é muito mais vantajoso manter um ambiente familiar harmônico, que tenha como base o amor, o diálogo, a comunicação assertiva, o apoio e facilitação ao desenvolvimento saudável.

Uma educação sem violência deve priorizar o exemplo, o respeito mútuo, a estimulação de emoções e comportamentos funcionais, as trocas positivas, evitando-se qualquer tipo de castigo corporal, tratamento cruel ou degradante que faça a criança se sentir ameaçada e fragilizada.

Beatriz Acampora é psicóloga e professora

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