Editorial: O legado possível da Copa para o Brasil

É perigoso alimentar um maniqueísmo dos sentimentos acerca da Copa

Por O Dia

É perigoso alimentar um maniqueísmo dos sentimentos acerca da Copa. Há os detratores, que desde o início enxergam apenas o caos e o fracasso estrutural do país, e os ufanistas, que vislumbram um futuro próspero após o Mundial. Nesta metade da competição, é possível desenhar um meio-termo, até agora bastante favorável ao Brasil. O desafio será garantir que esses sucessos virem legado e cobrar para que as falhas sejam corrigidas.

Dois exemplos. Atacaram-se impiedosamente os aeroportos, evocando um caos aéreo que ainda não aconteceu. Pelo contrário, a taxa de atrasos e cancelamentos está abaixo da média nacional para grandes demandas. Também trombetearam sobre engarrafamentos de nível bíblico, provocados por megamanifestações, que poderiam travar o deslocamento das delegações. Os congestionamentos como o registrado no Rio quarta-feira tiveram causas pontuais e não comprometeram a Copa — e ponto para o metrô, que funcionou a contento.

Em vez de arrastar o complexo de vira-lata, que deprecia tudo que provém do Brasil, os críticos do Mundial devem se ater ao que está dando certo e exigir que os avanços não sejam algo momentâneo — ou ‘padrão Fifa’. Para que tudo isso faça sentido, o país precisa firmar bons hábitos, novos processos e excelência ao cotidiano. Não se trata de só bater o bumbo da ‘Copa das Copas’, mas de brigar por uma nação melhor depois que as 31 seleções nos deixarem.

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