Por bferreira

Rio - No diuturno combate à inflação, é preciso brigar com segmentos no mercado que são gatilhos naturais. Dentre eles, estão a gasolina e o trigo. O preço do combustível tem impacto imediato em praticamente tudo que depende de frete, de alimentos a serviços. Já a oscilação do custo do grão, intrinsecamente associado ao desempenho das safras, mexe não só no pão, mas também nas massas — e em todos os lugares que as vendem ou as servem. Logo, é prudente lançar mão de todas as ferramentas disponíveis para impedir a escalada dos cifrões, o que está sendo feito no caso do trigo, como O DIA explica hoje.

O governo optou por zerar o imposto de importação de uma tonelada da matéria-prima oriunda de países de fora do Mercosul, uma vez que a safra da Argentina não foi das melhores — forte motivo para uma indesejada alta. Assim, tenta-se segurar os preços até que as condições se normalizem. Renúncia fiscal também é bastante útil para incrementar setores da economia, como o automobilístico e o de eletrodomésticos.

Espera-se, no entanto, que esta medida não revele, no ano que vem, uma armadilha ou um embuste eleitoreiro. Represar preços é apenas alongar o rastilho de pólvora de uma bomba cuja explosão pode ser letal para a economia. É o caso, já confirmado pelo governo, das contas de luz, que terão aumento em 2015. O mesmo pode acontecer com a gasolina. Se o trigo tiver de ser reajustado também, o Brasil terá uma conta ainda mais salgada a pagar.

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