Por bferreira

Rio - O que muita gente já sabe é que existe uma enorme disparidade entre os valores pagos pelas operadoras de saúde e a complexidade dos procedimentos vasculares, que envolve não apenas o tempo de dedicação necessário para cada procedimento — entre o pré, o per e o pós-cirúrgicos —, como também a constante atualização. Afinal, a velocidade com que novos estudos trazem descobertas e técnicas para tratamento das mais diversas patologias não encontra precedentes.

A Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular do Estado do Rio (SBACV-RJ) acaba de iniciar uma luta em prol de melhores honorários médicos. Uma cirurgia vascular envolve não apenas o ato cirúrgico, mas também uma avaliação criteriosa das condições do paciente. Além disso, inclui a escolha precisa da melhor técnica. Sem o uso do verdadeiro arsenal de exames e materiais específicos, unicamente por critérios econômicos, colocaríamos em risco a saúde do paciente.

Ninguém deseja condicionar a técnica cirúrgica a um cálculo da operadora de plano de saúde. Pior ainda é ser encaminhado para um cirurgião que não é o de sua escolha ou confiança, porque este mantém acordo com a operadora, por conta de custos.

Como considerar justa uma negociação entre médicos e operadoras? De um lado, um profissional sem formação específica para discutir custos burocráticos, e com o receio de ser descredenciado caso ‘desagrade’ à operadora. Do outro, especialistas em custos, responsáveis por liberar ou não a realização de um procedimento.

Por outro lado, não somos inocentes: sabemos que saúde tem custos altos e que infelizmente acontecem abusos. Compreendemos que, por falta de clareza, ou até mesmo por se sentirem lesados nas negociações, alguns médicos não se preocupam com a questão. Com isso, escolhem procedimentos de custo mais alto, em detrimento da alternativa com menor impacto financeiro e resultado satisfatório.

A SBACV-RJ, a exemplo de algumas poucas sociedades, trouxe para si a responsabilidade de estabelecer o diálogo e construir um relacionamento de transparência e confiança com as empresas, que hoje são responsáveis pelos pagamentos dos serviços médicos prestados a quase 40% da população do Rio. Desenvolvemos o Rol de Procedimentos por Patologia Vascular. Trata-se do agrupamento de códigos da tabela recomendada por órgãos como o Conselho Federal de Medicina e a Associação Médica Brasileira.

O novo sistema tornará mais ágil e transparente as negociações com as operadoras. Para cada procedimento cirúrgico não haverá mais a necessidade de negociação de cada etapa do tratamento. Isso agilizará o processo e reduzirá o estresse das buscas isoladas por autorizações para a conclusão do atendimento.

O rol foi discutido e aprovado por unanimidade em assembleia da SBACV-RJ e recebeu apoio da diretoria do Conselho Regional de Medicina do Rio. Agora estamos em negociação com as operadoras para que o paciente receba o melhor tratamento possível, com custos justos.

Julio Cesar Peclat de Oliveira é presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular

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