Por bferreira

Rio - À medida que descortina a teia de interesses, segredos e favores que cercam a Copa do Catar, o propalado ‘Padrão Fifa’ se torna cada vez mais inconsistente. As exigências cobradas pela entidade aos governantes do Brasil durante a organização deste Mundial e os diversos pitos públicos soam, diante das denúncias de corrupção e de suborno para a eleição do país-sede de 2022, meras encenações. O presidente Joseph Blatter se vê pressionado por aliados políticos e principalmente pelos ‘parceiros’ — nome pomposo para os patrocinadores de peso — a cancelar a escolha, fato então inédito na história do futebol.

A trama é protagonizada por Mohamed bin Hammam, natural do Catar e ex-membro da Fifa. Ele fora expulso da entidade em 2011, por conta de outro caso de compra de votos. Estima-se que dele partiram R$ 10 milhões a dirigentes de vários países e de todos os galardões para assegurar a eleição do Catar, como apontou investigação do jornal inglês ‘The Telegraph’.

Blatter, muito criticado no Brasil pelo rigor excessivo nas demandas pré-Copa, agora evoca para si o papel de bastião da legalidade e tende a cancelar a fraudulenta escolha, escorando-se em pretextos antes ignorados pela Fifa. Quando se votou pelo Catar, menosprezaram-se os alertas sobre o calor intenso do Oriente Médio e se enterraram as denúncias de trabalho escravo, que já teria matado 1.200 operários — muito mais que os nove óbitos registrados aqui.

Não se está buscando justificativa para perdoar atrasos ou promessas não cumpridas para 2014, até porque muito do “legado” não veio. O Brasil assumiu compromisso de sediar o Mundial, com uma miríade de obrigações. Está cumprindo satisfatoriamente e até pode, ao fim do torneio, reivindicar o título de ter organizado a “Copa das Copas”. Mas o escândalo do Catar abala seriamente a credibilidade da Fifa e a descredencia a ser a incontestável organização que atropela soberanias e manda e desmanda no futebol do planeta.

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