Por bferreira

Rio - Muitos jogos terminam em zero a zero nesta Copa. Quem paga um ingresso caríssimo, encara o metrô, o desgaste da discussão com a mulher — que quer ir ao cinema ou ao shopping —, as filas, o desconforto e a berraria dos galvões buenos merece ver muitos e muitos gols. Mas, com as retrancas na base de agarra-agarra, pisões e cotoveladas, os zero a zeros vão ficando cada vez mais frequentes. É frustrante como uma brochada. O jeito é acabar com os impedimentos. Os bandeirinhas continuariam nos seus lugares, mas apenas dirimiriam dúvidas do árbitro (se Suárez mordeu ou não o zagueiro italiano, por exemplo) e os torcedores, felizes da vida, sairiam dos estádios empanturrados de gols, alguns belíssimos, que são anulados pela maldita regra do impedimento. Emperra e enfeia o balé que é um futebol bem jogado.

Suárez pertence ao seleto grupo de gênios atormentados do futebol, como Heleno de Freitas e Almir. Achei a punição excessiva. Na prática, querem impedir o rapaz de exercer sua profissão. E são também punidos os que amam futebol. Ele é um craque que beira a genialidade, no nível de Messi, CR7, Robben, Neymar e Ibrahimovic. Por outro lado, tentativas de homicídio, como cotoveladas, empurrões, pisões e carrinhos (que todos vemos na TV, menos os árbitros), cada vez mais frequentes por causa da impunidade, não levam nem cartão amarelo. Obviamente estimula os brucutus. Dois pesos e duas medidas.

Outra coisa: lesões cerebrais, causadas por cabeçadas nas disputas de bola, levam muitos a pedir sua proibição. O que tem certa lógica: afinal, futebol é bola jogada com o pé. Mas que vai empobrecer o espetáculo, vai. Até agora, o gol mais bonito da Copa foi o de cabeça do holandês Robin van Persie, que, voando baixo, estufou o véu da noiva. Uma sugestão: para sua proteção, jogadores usariam capacete. Se pode no rúgbi e na Fórmula11, por que não no futebol? Já imaginou uma média de, digamos, 15 gols por partida? Pensa nisso, Dona Fifa.

PS: faltou samba na festa de abertura.

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