Por adriano.araujo

Rio - Já parou para perceber como naquelas ocasiões festivas em que a família se reúne a gente se diverte com pouco? Cada hora um puxa um assunto engraçado, recorda coisas do passado, alguém conta novidade, as crianças fazem gracinha... O convívio com as pessoas que participam da nossa vida, de uma forma inexplicável, nos anima e refaz, já notou? Isso é muito legal, para que a gente dê valor a essas ocasiões e encontros.

Mas talvez difícil mesmo seja percebermos as contínuas oportunidades que temos, mesmo com a correria do dia a dia, de saber mais sobre a história daqueles que convivem conosco. Só que se abrir ao diálogo e afeto, especialmente com quem é ‘de casa’, faz um bem danado! Lembro que, na semana em que celebramos Corpus Christi, pude presenciar uma senhora de 85 anos contar, para o filho e a nora, como ela e a família celebravam a data em Portugal, quando ela era criança. Que história bonita, rica em detalhes! Mas o que roubava a cena era mesmo ver a empolgação e o sorriso no rostinho dela e notar o casal atento e participativo, diante daquela história tão antiga e plena de um testemunho de fé e amor, que estava sendo transmitido a uma outra geração. Eu fiquei emocionado! E imagino como aquelas pessoas saíram dali com o coração aquecido! Como voltaram para as suas atividades refeitas!

A internet é maravilhosa! Ela oferece caminhos de interação que, se bem usados, são edificantes. Mas a troca que existe nos relacionamentos interpessoais é bem rica e completa. Não podemos nos esquecer disso! Conversar com os que estão ao nosso lado acrescenta muito à vida. Por isso mesmo, o Papa Francisco, quando esteve no Rio de Janeiro para a Jornada Mundial da Juventude, durante a Oração do Ângelus, no dia 26 de julho, no Balcão do Arcebispado, destacou: “Como é importante o encontro e o diálogo entre as gerações, principalmente dentro da família. (...)Esta relação, este diálogo entre as gerações, é um tesouro que deve ser conservado e alimentado!”

Mas será que temos nos dado oportunidades para este diálogo? Ou será que quando as pessoas mais idosas começam a falar já nos fechamos porque julgamos que vai ser algo chato ou repetitivo? E as crianças, será que ouvimos? Temos paciência para as histórias fantasiosas ou os questionamentos intermináveis que apresentam? Manifestamos interesse pelos adolescentes e jovens, com as histórias das suas farras ou quando apontam suas dúvidas e confusões afetivas, de estudo ou profissionais? E aos problemas concretos dos adultos, que atravessam crises profissionais, no casamento, nas finanças, damos atenção? Tudo parece nos impulsionar ao fechamento em nós mesmos. Mas cabe apenas a cada um de nós mudar o rumo dessa história!

Numa sociedade em que as pessoas parecem não se importar mais umas com as outras, você e eu podemos fazer a diferença! Eu quero me dispor a ouvir mais, a sorrir mais, a agradecer e a prestar um olhar mais atento a tudo que as pessoas que eu amo me dizem ou demonstram... E você, aceita o desafio? ‘Tamu junto’!

Padre Omar: é o Reitor do Santuário do Cristo Redentor do Corcovado. Faça perguntas ao Padre Omar pelo e-mail [email protected] Acesse também www.padreomar.com e www.facebook.com/padreomarraposo

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