Fernando Molica: O excesso de choro na Seleção

Sábado, ao lado de três ex-capitães de seleções campeãs do mundo, Carlos Alberto reclamou do excesso de choro dos jogadores brasileiros

Por O Dia

Rio - Sábado, ao lado de três ex-capitães de seleções campeãs do mundo, Carlos Alberto reclamou do excesso de choro dos jogadores brasileiros. Choro na hora do hino, choro no fim da prorrogação, choro antes e depois dos pênaltis. Capitão do time de 1970, acha que o excesso de emoção atrapalha. Também no programa — ‘ É Campeão’, do Sportv —, o italiano Cannavaro observou que Thiago Silva, o capitão brasileiro, vem rendendo bem menos que em seu clube. Atribuiu o problema à pressão que o jogador estaria sofrendo. E ele nem se referiu à imagem do zagueiro prostrado no fim da prorrogação. Antes, o capitão, o líder do time, pedira para ser o último a bater pênaltis.

Copa é especial, ocorre apenas a cada quatro anos. Os jogadores, como sempre ressalta o Felipão, representam um país. No nosso caso, levam nos ombros o peso de cinco títulos mundiais, são herdeiros de muitos craques. O fato de a Copa ser aqui acrescenta outra carga emocional, mas há um exagero nessa história de, como diz o jingle do Itaú, amarrar o coração na chuteira. Futebol envolve emoção, mas tem a ver também com qualidade dos jogadores, esquema tático, jogadas ensaiadas, preparação física. O excesso de apelo aos sentimentos patrióticos, ao muito orgulho, ao muito amor, atrapalha o time. Serve também para tentar esconder insegurança e compensar deficiências que se materializam em chutões para a frente. Pelo critério da emoção, Maria Bethânia e Fernanda Montenegro deveriam ter sido convocadas.

Felipão tem o mérito de não tentar impor esquemas que sufocam os jogadores, não quer brilhar mais que seus comandados. Mas a equipe brasileira depende muito do talento individual, no de Neymar, em particular. Demonstra ser carente de alternativas táticas, de jogadas previstas e ensaiadas — essenciais até para os momentos de baixar a bola, de esfriar o jogo. Seria bom saber, por exemplo, o que o Oscar tem sido instruído a fazer em campo. A Holanda, ontem, virou o jogo nos últimos minutos e nenhum de seus jogadores caiu em prantos como se tivesse recebido uma graça divina. Quem sabe o que fazer tende a não perder a cabeça.

Voltar a perder uma Copa no Brasil seria frustrante, mas não representaria o fim dos tempos, jogos envolvem a possibilidade de derrota. Queremos a Copa para ficar felizes, não vale disputá-la pensando apenas no sofrimento. Copa é Carnaval, não Sexta-Feira da Paixão. E não custa lembrar que as melhores coisas da vida só podem ser desfrutadas sem tensão. Jogadores, cuidem do jogo, deixem o nervosismo conosco.

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