Jaguar: Notas na trave

Os que mais sofrem na Copa do Mundo são aqueles funcionários da Fifa cuja obrigação é ficar de costas para o gramado, fiscalizando as arquibancadas

Por bferreira

Rio - Os que mais sofrem na Copa do Mundo são aqueles funcionários da Fifa cuja obrigação é ficar de costas para o gramado, fiscalizando as arquibancadas. Deve ser terrível estar a quatro metros do campo sem poder ver a arte dos maiores jogadores do planeta. Mesmo quando 60 mil pessoas urram com os lances mais espetaculares, os coitados são obrigados a ficar imóveis, com os braços cruzados para trás, de costas para os craques, impassíveis como os guardas da rainha Elizabeth. Mas para cronistas a coisa não está fácil também. Às vezes, por causa da hora do fechamento da edição, temos que comentar jogos que ainda não aconteceram. Nesta Copa de tantas zebras, hay que rebolar.

Tinha bolado um título porreta para esta crônica: a Copa dos goleiros. Em quase todos os jogos foram o destaque, com defesas mirabolantes (Howard, o goleiro americano, desmoralizou a Lei da Gravidade, deu saltos de matar de inveja o Homem-Aranha). Quando tinha acabado a crônica, liguei a tevê no SporTV. Comentam, é claro, a Copa dos goleiros. Impossível inventar algo original no momento em que milhões de jornalistas estão focados (deve ser algum foca de redação quem inventou a maldita palavra) dia e noite nisso.

Na Copa, um jogo vai muito além do futebol, são batalhas de uma dimensão épica inimaginável. Só Nelson Rodrigues, incorporando o espírito de Homero, conseguiria descrever essa epopeia.

Nem Messi, nem Neymar, nem James Rodríguez. Até agora, o maior jogador desta Copa foi (empatando com o Howard) o ‘velho’ Robben. E o pior ator: com aquelas caretas fingindo dor, seria reprovado em teste de coadjuvante em ‘Malhação’.

Temos o privilégio de acompanhar pela tevê a edição das imagens da Copa, a progressiva criação de uma monumental obra de arte. Até agora a maior instalação, como dizem os artistas, já feita.

Agora saímos do epa e vamos para o hexa!

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