Airton Cicchetto: Show de gestão da Alemanha

O futebol foi levado a sério e provou ter lógica

Por O Dia

Rio - Futebol não tem lógica. Será? Nenhuma seleção esteve no Brasil para brincar, sem se importar com desempenho e resultados dentro e fora do campo. O futebol foi levado a sério e provou ter lógica. Aliás, diga-se, uma lógica empresarial, que tem como primeiro objetivo a satisfação de seus públicos de interesse, seus stakeholders. No grupo dos financiadores, estão os patrocinadores, que cobram resultados na forma de exposição à mídia. É preciso que a seleção avance no torneio para se manter no foco das atenções. No grupo do mercado, há os clientes, no caso, as torcidas, que, obviamente, têm como expectativa a vitória. No grupo organizacional, temos os atletas e a comissão técnica, que também precisam de vitórias e recompensas.

Pois bem, satisfazer a estes públicos requer talento e gestão. Somente uma gestão eficaz pode promover a interação do talento com competência. Dentro das quatro linhas, é pelo monitoramento e estudo do adversário e definição de padrão de jogo. Este é o processo e, assim como nas empresas, a capacidade de cumpri-lo requer um trabalho eficiente de orientação técnica, competência individual e trabalho em equipe que, juntas, compõem as condições sine qua non para chegar às vitórias.

O que se pôde notar na seleção da Alemanha foi um competente trabalho de gestão, embasado em fundamentos como os que seguem: 1-Metas: a Alemanha almejava este mundial. Fez o planejamento estratégico, traçou e cumpriu planos de ações para viabilizar o título. 2-Metodologia: o selecionado alemão desenvolveu um trabalho de longo prazo com a mesma equipe e mesmo técnico. O resultado é que todos se conhecem, entendem as regras e processos e cumprem seu papel sem improvisações.

Metas e metodologia já parecem suficientes, não obstante outros fundamentos foram também observados. 3-Excelência: todos tinham muito claras as expectativas dos públicos e buscaram se diferenciar pela excelência. Trabalharam em conjunto e lutaram individualmente para cumprir sua tarefa, contribuindo para fortalecer a equipe. 4-Monitoramento: com ajuda da tecnologia, foi surpreendente o nível do controle de desempenho. Vários indicadores de performance simultaneamente controlados: indicadores individuais, da própria equipe e também dos adversários.

A grande diferenciação alemã foi melhor utilizar as informações para estudar os adversários, analisar forças e fraquezas, analisar também as próprias forças e fraquezas e identificar de onde viriam as principais ameaças e onde estariam as melhores oportunidades de jogo. Tudo como num perfeito exercício de análise Swot. 5-Ambiente: este pareceu ser também o ponto alto da equipe alemã. Nas entrevistas e declarações do técnico e de seus jogadores, todos se referiram ao trabalho da equipe, enalteceram o conjunto em relação aos valores individuais, demonstrando serem uma equipe unida e participativa.

A Copa surpreendeu. Os atletas deram um show de talento. A Alemanha deu show de gestão, integrando talento e competência dentro e fora de campo. Executivos, gestores de negócios e empresários brasileiros, de todo e qualquer segmento de negócios, deveriam refletir mais e buscar lições sobre o que viram nas delegações em geral, em especial na da Alemanha, além da contagiante exibição dos astros do futebol.

Airton Cicchetto é consultor e engenheiro

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