Editorial: Um desserviço que apequena o Congresso

É triste constatar que o Congresso se encaminha para, mais uma vez, adotar o ‘recesso branco’ — embora os próceres das duas casas jurem com veemência que não se trata disso

Por O Dia

Rio - É triste constatar que o Congresso se encaminha para, mais uma vez, adotar o ‘recesso branco’ — embora os próceres das duas casas jurem com veemência que não se trata disso. Difícil crer, uma vez que os legisladores praticamente nada farão até outubro, por conta das eleições. Estão programadas apenas duas sessões deliberativas no Senado, no início de agosto, e três na Câmara, já na semana que vem — e o resto é falatório. Não é forçoso afirmar ser um esforço muito tímido, ainda mais com a Lei de Diretrizes Orçamentárias por votar.

Cabe sublinhar que, sem a LDO, o país fica paralisado. Tanto isso é verdade que a própria Constituição determina prazos para a apreciação. Julho deve terminar, porém, sem sinais claros de que as diretrizes serão aprovadas — semana passada não foi possível aprovar parecer preliminar na Comissão Mista de Orçamento por falta de quórum. Com isso, o tempo se esvai, num mês cuja primeira metade voou, inerte, por causa da Copa do Mundo.

O que entristece é ouvir justificativas rasas, mas num tom contrito, para a gazeta. Fala-se em “zona cinzenta”, “interesse nacional” e “matérias demagógicas”, sugerindo o pressuposto de que há no Parlamento motivações espúrias, contra as quais o melhor é trancar os trabalhos, e o cidadão que espere. Uma democracia, ao menos no papel, devia saber separar campanha da atividade legislativa, mas no Brasil o amálgama parece ser indissociável. Obviamente que não se espera uma pauta intensa e diária de votações, até porque os candidatos têm extensa agenda a cumprir, mas nada justifica o ‘toque de recolher’ — até porque não há indícios de que o salário de vossas excelências seja cortado.

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