João Baptista Ferreira de Mello: Uma rua chamada Marlene

Campanha já ganhou as redes sociais e agora se situa no patamar das reivindicações

Por O Dia

Rio - Há um mês Marlene nos deixava. Viva Marlene! Por sua trajetória extraordinária, a cantora e atriz merece a campanha lançada com vistas a ganhar rua em seu nome e a edificação de uma estátua em sua honra. ‘Uma rua chamada Cantora Marlene’ já ganhou as redes sociais e agora se situa no patamar das reivindicações.

Marlene encantou nos cassinos. Foi eleita Rainha do Rádio. Cumpriu temporada de seis meses no Olympia de Paris, conduzida por Edith Piaf. Soberana dos auditórios superlotados, brilhou nos carnavais com sambas de protesto, como ‘Lata d’água’, ‘Sapato de Pobre’, ‘Patinete no Morro’ e ‘Zé Marmita’, antecipando a era dos Festivais. Foi repetidamente agraciada como melhor intérprete dos festivais de Carnaval no Maracanãzinho. Vanguardista, lançava moda; pioneira, ousou cantar de calça comprida. Aprendeu a sambar com o bamba João da Bahiana, da Pedra do Sal. Proibida por gesticular e requebrar como as mulatas nas ruas do Rio, desafiou a censura da ditadura.

Reformulou sua carreira e voltou com o charme, o talento e a garra de sempre cantando Gonzaguinha e Milton Nascimento, quando ainda eram tidos como malditos. Comandou programas de TV. Aderiu de imediato à Bossa Nova. Precursora, ‘puxou’ o samba campeoníssimo do Império Serrano. Multimídia, representou no cinema brasileiro e argentino. Atriz, destacou-se como protagonista nos palcos com textos de Guarnieri (‘Botequim’), Chico Buarque (‘Ópera do Malandro’) ou Brecht (‘Um Céu de Asfalto’). Tornou-se motivo de tese de doutorado e Rainha, num roteiro guiado a pé, ao lado de imperatrizes, nas cercanias dos extintos e atuais soberanos ancoradouros do Olímpico Porto Maravilha.

O site e o Facebook da presidenta Dilma estamparam tributos à artista de maior expressão corporal do cenário brasileiro. Os críticos escreveram que não entendiam como não torcer por Marlene, e um deles em belo artigo estampou o título “Marlene era a Maior”. Era não. Sempre foi e será a Maior.

Cremado seu corpo, suas cinzas singram na Baía de Guanabara. Edifiquemos, pois, uma escultura interativa para esta estrela de primeira grandeza que agora brilha nos céus e transitemos por um logradouro com seu nome. Marlene vive e brilha! Abram alas pra Marlene!

João Baptista Ferreira de Mello é coordenador do Projeto Roteiros Geográficos do Rio da Uerj

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