Por bferreira

Rio - Condição velada do ‘Padrão Fifa’, a elitização das torcidas nos estádios Brasil afora alterou profundamente a demografia das arquibancadas. À medida que as novas arenas eram entregues, elevavam-se os preços dos ingressos, o que era justificado com contratos, custos e numeralhas insignificantes para os aficionados. Veio a Copa da “elite branca” — termo pejorativo, mas não de todo incorreto, a observar a quase total expulsão de negros —, e retoma-se o Campeonato Brasileiro, cujas edições são cada vez mais desinteressantes, a despeito das entradas de custo elevado. Há, porém, um esforço para romper essa tendência. O Flamengo anunciou ter iniciado conversas para oferecer um ‘setor popular’ em suas futuras partidas no Maracanã, como O DIA mostrou ontem.

O clube planeja cobrar R$ 30, com direito a meia-entrada, algo bem mais acessível do que os R$ 180 pedidos em determinadas ocasiões, o que para o torcedor médio é praticamente uma extorsão — basta fazer uma simples conta para perceber que apoiar o time do coração custa um quarto do salário mínimo.

Os preços altos acabam expulsando os mais pobres das arenas, cada vez mais privilégios de abonados, e obriga a massa a assistir pela televisão. Não parece ser uma troca justa num país que idolatra tanto o futebol. Por isso, o Flamengo deve insistir nessa negociação, que, se bem-sucedida, poderá estimular outros clubes e estancar essa ‘gentrificação’ na maior paixão nacional.

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