Paulo Sardinha: Aprendizado na derrota

É ilusão pensar que sempre podemos vencer, seja no esporte ou no mundo corporativo

Por O Dia

Rio - É ilusão pensar que sempre podemos vencer, seja no esporte ou no mundo corporativo. Entretanto, há de se aprender também nos insucessos. Para os torcedores, movidos pela paixão, ficam a tristeza e o natural comportamento de apresentar culpados. Porém, para quem dirige o nosso futebol, agora é o momento de avaliar erros e soluções para o desastre. A Seleção não pode aceitar como normal o 7 a 1 para a Alemanha, ainda mais considerando que imprensa e torcedores, durante toda a competição, colocaram em questão a qualidade do trabalho realizado.

Como o universo corporativo, o esporte está em constante mudança. No caso de empresas, aquelas que não conseguem se adaptar ou modernizar ficam sujeitas a perder mercado, ter prejuízos constantes e até mesmo fechar. Por isso o benchmarking é um processo que faz parte do dia a dia das organizações, mesmo daquelas que são líderes de mercado. Não é vergonha admitir que, por exemplo, a seleção alemã tenha se planejado melhor que a brasileira. Entretanto, será prepotência não aceitar que podemos e devemos aprender com as equipes que apresentam um futebol melhor do que o nosso.

Também é sinal de prepotência não saber ouvir críticas negativas. Mesmos executivos e gestores de primeira linha não estão livres de planejamentos e decisões errados, por isso sabem que outras opiniões são fatores a serem considerados nos momentos de decisões estratégicas. Prestar atenção em opiniões divergentes — que no caso do futebol pode vir do torcedor, do treinador adversário ou de jornalistas — é uma forma de reunir informação e se mostrar aberto a novas ideias e soluções.

Entretanto, a mudança de cenário passa necessariamente pela forma de como será gerido o futebol brasileiro a partir de agora. A questão levantada, após a partida contra o Chile, sobre a qualidade de liderança do capitão da Seleção, deve ser agora direcionada aos executivos do principal esporte do país. Faz parte da cartilha de qualquer gestor não prometer o que não pude cumprir, por exemplo, a conquista da Copa do Mundo. Por outro lado, espera-se que lideranças sejam inspiradoras, confiáveis, empreendedoras, criativas e ousadas, além de saber traçar estratégias eficientes e lidar com adversidades e pressões. Mas será que são esses os predicados presentes nos executivos que comandam a paixão nacional?

Não tenho dúvidas de que o futebol brasileiro pode aprender com a tragédia dessa Copa, mas dependerá de um choque de gestão. Só assim a Seleção não correrá o risco de ser como uma empresa que se apega aos sucessos do passado, permanecendo estagnada. Sem perceber que somente incorporando novos paradigmas e métodos conseguirá se manter competitiva. Estagnar é um verbo que deve ser evitado tanto em empresas quanto no esporte.

?Paulo Sardinha é presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RJ)

Últimas de _legado_Opinião