Por bferreira
Publicado 31/07/2014 00:49

Rio - A decisão da presidenta Dilma de mandar o embaixador Henrique Sardinha Filho fazer as malas e voltar ao Brasil revoltou não só israelenses, mas toda a comunidade judaico-brasileira e todos os que acompanham os conflitos no Oriente Médio com isenção. Como a presidenta não fez o mesmo com o representante em território palestino, mostrou parcialidade em relação ao conflito Israel-Hamas em Gaza. São dois pesos e duas medidas: a mão do Estado brasileiro foi forte ao condenar Israel, mas omissa ao silenciar sobre os três adolescentes israelenses mortos covardemente por terroristas. Por coerência, o governo deveria chamar para consulta também os embaixadores na Rússia, na Venezuela, em Cuba e em outros tantos países onde há mortes e conflitos.

A equivocada decisão escancara a fragilidade da diplomacia brasileira, que já viveu tempos de notoriedade, sendo fundamental, inclusive, para a criação do Estado judeu. Nenhuma potência econômica foi capaz de tamanho desatino. Nem os estados mais chegados às causas árabes nem as ditaduras esquerdistas produziram atos ‘diplomáticos’ tão destemperados. Além de atingir Israel, o Brasil praticamente se isola no cenário mundial, o que revela a incorreção desta conduta, fruto de política diplomática míope e partidarizada.

O governo Dilma conseguiu o que ninguém jamais chegou a imaginar. Nem na ditadura se ousou partidarizar o Itamaraty. Usar como argumento a suposta desproporcionalidade da força de Israel em Gaza é outro equívoco. O governo fecha os olhos aos milhares de mísseis mandados diariamente para o Estado judeu pelos terroristas do Hamas. O governo brasileiro finge não ver que o grupo usa civis como escudo e esconde bombas em escolas e hospitais.

A diplomacia petista também desconhece o desespero da população de Israel, a cada toque de sirene, para se defender dos bombardeios. Ou será que o terror cotidiano a que são submetidos é peça de ficção? Não seria o caso de se manter a embaixada fortalecida, para atender os brasileiros que vivem em Israel e também são reféns?

Sem dúvida, o Ministério das Relações Exteriores de Israel foi infeliz ao afirmar que o Brasil não tem relevância no cenário mundial e ao ironizar a vexaminosa derrota da Seleção para a Alemanha. Mas a pequenez das relações exteriores do Brasil acaba justificando tanta indignação.

Não é com atos extremos, de uma diplomacia que não é diplomática, que a paz será alcançada. Mas somente no dia em que terroristas derem lugar a verdadeiras lideranças palestinas, que reconheçam Israel como Estado soberano. Até lá, seria grande avanço se a parte que contamina o corpo diplomático brasileiro voltasse a honrar o Instituto Rio Branco e representasse com correção e isenção o pacífico e justo povo brasileiro, sem a nociva interferência de partidos políticos.

Teresa Bergher é vereadora pelo PSDB

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