Por bferreira

Rio - É compreensível subir a temperatura na campanha eleitoral. Confrontos de ideias raramente se dão em diálogos monasteriais, e a extensa pauta de problemas do país enseja debates acalorados, com cobranças diversas. Elevação de tom entre candidatos, no entanto, não justifica em absoluto a animosidade crescente que se observa entre correligionários e apoiadores. O clima de ódio que se firma em nada ajuda a democracia — ao contrário, alimenta sua antítese.

A escalada de raiva entre as correntes majoritárias neste pleito — petistas, peemedebistas e tucanos — traz pinceladas de intolerância, agressividade e desprezo. Engajar-se na causa do partido ou do candidato, para a parcela mais radical, significa eliminar o outro. Daí advêm ofensas, xingamentos e provocações, tanto nas ruas quanto nos ambientes virtuais. Como essa parola pode contribuir para a democracia? Como dela se extrairiam pontos edificantes?

Tal postura tem a mesma validade — nenhuma — que os ataques pessoais nos debates na televisão, tão longevos quanto o voto em papel. O fornecimento de baixaria nada atesta no que toca à competência de gestão ou à capacidade de ampla visão. Como parece ser inócuo pedir a esses cabos — mais no sentido militar do que no cívico — eleitorais moderação, cabe à parcela lúcida da população, felizmente a maioria, que deixem esse palavrório para as paredes e incentivem o sadio embate de ideias e propostas.

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