Editorial: Ver a crise da água sem sede ao pote

Acirra-se a rusga entre os governos paulista e fluminense acerca da crise da água

Por O Dia

Rio - Acirra-se a rusga entre os governos paulista e fluminense acerca da crise da água. Diante de uma estiagem que não cede — e promete voltar tão ou mais severa em 2015 —, São Paulo cogita até ir à Justiça para empreender manobras de vazão em seu sistema hídrico, de modo a reduzir a secura de suas torneiras, que de fato atinge níveis críticos. A medida, porém, afetaria a bacia do Guandu, podendo, num primeiro momento, prejudicar o fornecimento de energia — o abastecimento de água a cariocas também ficaria ameaçado.

Não se pode lidar com esta questão de modo açodado. Antes de tudo, é um problema a ser resolvido na esfera federal, pois mexe com recursos hídricos, que não são deste ou daquele estado, mas da União. Não há exagero nos apelos paulistas: a secura é para valer. Choverá no verão, mas muito dificilmente o bastante para afastar o risco de racionamento ano que vem. Não é razoável, porém, aplicar a Lei de Gérson — “meu pirão primeiro” —, pois seria uma desgastante e deprimente guerra fratricida. O mais sensato, portanto, é esgotar todos os estudos, levantar todas as alternativas e sobretudo não fazer economias. Há de se chegar a solução harmoniosa para todos, desde que haja boa vontade e verba.

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