Rio - Programar a formação continuada de professores é uma exigência do 2º Plano Nacional da Educação. Antes disso, seria bom pensar que nenhuma empresa que queira manter-se no mercado consegue sobreviver sem atualizar seus funcionários. No setor educacional, encontramos vários modos de organizar a formação continuada, e alguns podem ser perfeitamente descartáveis.
Há secretarias municipais de Educação que têm a preocupação de fazer algum congresso ou mesmo uma semana pedagógica no início ou no fim do semestre letivo. Gastam com pastas, mochilas, lembrancinhas várias, quando poderiam investir todo esse valor em formação dos professores.
Os lanches, por vezes, são sofisticados, destoando das refeições comuns dos docentes em suas casas e consumindo uma verba vultosa que daria para fazer vários congressos. Esse tipo de atividade perde-se em pouco tempo. Uma palestra ou um congresso serve para incentivar o trabalho do semestre e não pode ser comparado à formação continuada em si mesma.
Algumas secretarias municipais levam em conta os formadores dentro da própria equipe e, com eles, fazem as aberturas e a formação ao longo do semestre, quando muito contratando uma palestra motivadora. Trata-se de um sistema bem simples que demanda, antes de tudo, a boa formação da equipe central da secretaria.
Outras há, distribuídas pelo território nacional, que contratam uma palestra ou congresso no início de cada semestre e buscam os recursos humanos para o desenvolvimento da formação continuada através de alguma assessoria, seja ela vinda de uma empresa especializada, seja encontrada em alguma universidade da região.
O importante nesse processo é que haja continuidade. Nesse sentido, uma assessoria que visite o município a cada mês e prepare uma equipe de formadores, cuidará de modo concreto de um plano a ser aplicado ao longo do ano letivo, com uma grande vantagem: além de ser o processo mais eficaz é o mais barato.
Se considerarmos o longo prazo de sua aplicação, no ano seguinte à primeira experiência, a equipe preparada pela assessoria assumirá a formação continuada dentro do município, diminuindo pela metade a participação do assessor no ano seguinte.
Os planos e projetos serão acompanhados, administrados e reorganizados conforme a experiência orientar.
Não será uma atividade desligada de um contexto, mas, pelo contrário, voltada para a própria realidade local, cuidando de uma formação contínua, sem a qual os investimentos educacionais poderão não surtir o efeito desejado.
Hamilton Werneck é pedagogo e escritor