Por bferreira

Rio - No desafiador universo da Educação pública, tão importante quanto perseguir indicadores de desempenho é cuidar da assiduidade na sala de aula. A evasão escolar alcançou, somente no Grande Rio, 52 mil crianças entre 6 e 14 anos — a metade dos faltosos é da capital, e boa parte dos ausentes mora em comunidades carentes, como O DIA mostrou domingo e ontem. Esse número alto em particular revela muito da condição socioeconômica das famílias e aponta para um gravíssimo problema: a marginalização desses jovens.

Cada criança fora da escola, seja por qual motivo for, é potencialmente mais um alvo da criminalidade em comunidades carentes, o que põe a girar uma perversa roda que não vai parar de aliciar jovens. O resultado invariavelmente será trágico. Caso não vire mais uma baixa da guerra urbana, esse recém-cooptado pelo tráfico não terá condições de chegar ao mercado de trabalho. Impõe-se um bolsão de ignorância e de violência difícil de ser combatido.

Enfrentar a evasão é um desafio e tanto para as autoridades. De início, é preciso conhecer muito bem a comunidade, escrutinando a fundo dados demográficos, e entender onde está a evasão. Em paralelo, deve-se olhar para a sala de aula e as ferramentas pedagógicas disponíveis, pois o absenteísmo não se resolve entulhando classes à força — é necessário convidar o aluno e fazer com que ele se entusiasme em estudar. Tudo isso somado à cobrança por metas de produtividade e de desempenho, como o aumento sistemático do Ideb.

Mas, felizmente, há boas práticas contra a evasão, como se pode ler em artigo nesta página. Incrementar essas ações e pensar constantemente na plena oferta de ensino público de qualidade é o caminho para tirar a multidão da rua.

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