Por bferreira

Rio - Ao se debruçar sobre a fila de espera por cirurgias no Instituto Nacional de Traumato-Ortopedia (Into), a Defensoria Pública da União deu a real dimensão de uma desumanidade. As 14.077 pessoas que aguardam convocação para intervenções há anos ansiadas são o retrato de uma criminosa leniência que infelizmente se alastra por toda a rede pública: a incapacidade do Estado de cuidar dos doentes. Nem uma unidade tida como de excelência está livre.

Cabe ressaltar que o Into, assim como o Inca, é unidade de alta complexidade que, na imensa maioria das vezes, só recebe pacientes ‘referenciados’ — na prática, gente que já peregrinou meses por postos de saúde e hospitais e a duras penas obteve a indicação de cirurgia. Mas, como se vê no relatório da Defensoria, chegar ao Into não é garantia de alívio. Há quem morra antes de entrar na sala de operações, pois a espera pode ultrapassar dez anos.

A Defensoria ajuizou ação civil pública em que exige soluções. É preciso ter boa dose de otimismo para crer em futuro melhor no curto prazo. Confia-se na Justiça para que, em dois anos, a fila zere — com a realização quase imediata de concurso público. Quem conhece minimamente os meandros das seleções do funcionalismo sabe muito bem da burocracia e da lentidão dos processos. Mutirões, tão bem-sucedidos em diversas ocasiões, seriam de grande valia até que se chegasse a um quadro decente de médicos.

Triste realidade de um instituto que bateu bumbo na reinauguração de sua portentosa sede, no Caju — mas que continua a impor sofrimento a quem dele depende, como nas antigas e compridas filas na Avenida Brasil, à porta do Into. A espera hoje é silenciosa, mas não menos sofrida.

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