Franklin Dias Coelho: Inovação e empreendedores

Com a experiência do Rio Datamine e agora com a ampliação para o Data Rio, a cidade está consolidando um grande projeto de big data urbano

Por O Dia

Rio - Há um discurso recorrente de que temos hoje déficit de formação de 40 mil profissionais de TI por ano no país. Mas a pergunta que define uma ação estratégica é para onde caminha este mercado, que cresceu 9,5% em 2013. É com referência a estes dados que a prefeitura tem trabalhado inovação a partir de uma visão sistêmica. Foi com este olhar que começamos a identificar os gargalos na cadeia produtiva de Tecnologia de Informação.

Vivemos hoje uma nova tendência, pautada pela computação em nuvem, sistema de informação em tempo real, sensores, big data, aplicativos e dispositivos móveis para a população. Seguindo este novo ciclo denominado pelo mercado de terceira plataforma, a cidade tem trabalhado programas estruturantes na consolidação deste ecossistema de inovação pensado a partir destas novas tendências.

Uma pré-condição para estruturação deste ecossistema é a consolidação de um big data de cidades inteligentes. A enorme quantidade de dados, como linhas de ônibus, itinerários, tempo de espera, estacionamentos, postos de saúde, número de leitos disponíveis, médicos especialistas de plantão, deslocamentos, áreas de risco, serviços de proximidade e tantos outros devem estar disponíveis de forma ágil e direta.

Com a experiência do Rio Datamine e agora com a ampliação para o Data Rio, a cidade está consolidando um grande projeto de big data urbano com grande número e variedade de fontes e a alta velocidade de processamento, abrindo campo para nova visão de gestão urbana e de Ciência das Cidades.

O paradigma de big data é particularmente apropriado para a implementação de sistemas de informação em cidades inteligentes porque oferecem mecanismos de análise e de aprendizagem, trabalhando tanto um sistema de monitoramento como um caminho de gestão de conhecimento.

Dentro destas tendências, integra-se a dimensão cultural como chave para acelerar o crescimento da comunidade tecnológica. Os Programas Rio Ideias, Rio Apps, Hackatons, Rio Mais e os Hangouts caminharam na criação de uma comunidade aberta e colaborativa que celebra o empreendedorismo e incentiva a comunidade a desenvolver aplicativos.

Esta mudança cultural é fundamental para que comecemos constituindo neste ecossistema um círculo virtuoso de inovação. Com a Naves do Conhecimento, cujo projeto completa dois anos com mais de 1,2 milhão de usuários, estamos trabalhando uma política de Ciência e Tecnologia que acompanha o ritmo exigido em termos de conhecimento e habilidades requeridas para que jovens possam participar do que Alvin Toffler denominou a terceira onda, a revolução da informação.

Este processo começa pela base, formando desenvolvedores e tecnólogos a partir de criatividade e das soluções inovadoras de jovens empreendedores em áreas de baixa renda. Ao lado de programas como o Forsoft, que conta com cerca de 20 empresas madrinhas que contratam os melhores alunos de cursos de tecnologia, temos o caminho de apoio de uma rede de startups sociais, voltados para transformar o Rio numa Cidade Inteligente.

Formação de desenvolvedores, ambiência de inovação e de apoio a criatividade no desenvolvimento de aplicativos e espaços de coworking para startups sociais são elos que permitirão completar este círculo virtuoso, atingindo e dando oportunidades a jovens criativos que, apesar das dificuldades e exclusão, mantêm seus sonhos e a fé de acreditar em si mesmos. A rede de parceiros tecnológicos e de representação de empresas de tecnologia pode aportar técnicos e treinadores. Significa integrar a este círculo virtuoso anjos e mentores, vestindo a camisa deste projeto social e entrando em campo. Com a prefeitura criando este ambiente de inovação, temos certeza de que poderemos afirmar que nossos craques tecnológicos vão bater um bolão.

Franklin Dias Coelho é secretário municipal de Ciência e Tecnologia

Últimas de _legado_Opinião