Por bferreira

Rio - Um dos problemas das campanhas eleitorais em nossos dias, tanto aqui como em nações de povos com melhor nível cultural, é que a massificação leva os candidatos ao mesmo discurso, às mesmas evasivas. Cabe ao eleitor perceber, intuitivamente, quando o candidato diz que é a favor, mas, na verdade, é contra. Todos ficam cheios de dedos para não cair na má vontade dos ativistas, geralmente defensores de programas alheios aos anseios da maioria.

Percebe-se, no que se assiste na televisão, que nem um orçamento em dobro seria capaz de suportar as promessas. Logo, o desafio será adivinhar quem pode governar pensando no país, no futuro, e quem o fará no atendimento imediato, provocando grandes problemas mais adiante em troca de uma popularidade efêmera.

É claro que a legislação trabalhista e a regulamentação das greves devem sofrer alterações para que o país não fique à margem dos investimentos fixos das grandes corporações. Não se trata de tirar os direitos adquiridos legítimos, como décimo terceiro, multa sobre o FGTS, horas extras e outras. Mas, sim, de conter exigências que matam a pequena empresa e afastam a grande.

Um pente-fino nas leis trabalhistas será questão de bom senso, caso o governo a ser empossado em janeiro queira atrair investidores. Como também se impõe uma simplificação tributária – mesmo que mantendo esta carga indecente. Precisa-se modernizá-la, deixando-a mais clara, com menos controvérsias, para dar segurança ao empreendedor. E há de se usar mais a informática para a cobrança e controle dos impostos, como já ocorre nas economias mais adiantadas, para aumentar a base de contribuintes e arrecadar mais.

Seja quais forem os eleitos, para o Planalto ou nos estados, estes deverão assegurar maior segurança à população e ordem nas ruas. E promover também uma mudança no Código Penal, que retire da legislação os dispositivos que permitem a um condenado cumprir menos de um quinto da pena recebida. A Justiça precisa também de um controle quanto aos prazos, pois os infratores que podem pagar advogados influentes acabam por se livrar das penalidades pela via das prescrições.

Exemplo maior da proteção aos crimes do colarinho branco é a impunidade das quadrilhas que se especializaram em saquear os fundos de pensão de entidades públicas; todos impunes. Há processos parados por mais de dez anos, estelionatários soltos, e na repetição dos mesmos delitos, que podem ser constatados numa consulta simples ao Google, perdidos na burocracia do Ministério Público, na PREVIC e na Receita Federal.

Alguém tem de assumir o compromisso de dar um basta nessa impunidade que leva a intranquilidade a milhões de famílias, que formam o universo dos atendidos pelos fundos fechados de suplementação previdenciária. Como andam as coisas, na percepção da crise que o país como um todo atravessa, quem prometer mais austeridade leva vantagem nos formadores de opinião. Mas, talvez, isso não seja suficiente para se chegar lá. É muito preocupante e é preciso que cada eleitor leve a sério a escolha que fará na hora de votar.

Aristóteles Drummond é jornalista

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