Por bferreira

Rio - São extremamente preocupantes as manifestações de intolerância religiosa dentro da rede municipal de ensino, como O DIA vem mostrando desde ontem. Causa espanto o preconceito partir justamente da escola, último lugar no mundo onde se espera o ódio. Não importam as desculpas que se deem ou se são mal-entendidos: num Estado laico como o Brasil, no qual há liberdade de crença garantida pela Constituição, é inadmissível haver perseguição ou censura a qualquer fé.

Mais: Dada a prerrogativa do Ensino Religioso na rede pública, imposição da própria Constituição que alguns interpretam como contradição, seria rico para a formação do estudante conhecer todas as crenças professadas no Brasil, pois da ignorância nasce a intolerância. Obviamente que, por Ensino Religioso, não se entende privilegiar esta ou aquela fé em detrimento de outra. Estabelecer tal currículo, desde o início uma tarefa subjetiva, implica melindres que fatalmente vão incomodar alguém. O que já é um desafio para os gestores.

Mas o que aconteceu com o aluno das guias mostra, no mínimo, negligência da secretaria em relação ao que se passa nas unidades, até para aparar arestas, inevitáveis quando religiões convivem.

Teve quem defendesse o banimento radical de qualquer manifestação religiosa nas escolas, o que é um grande exagero. Ter fé, participar de cultos e carregar sua crença compõe o ser humano desde a infância. Pedir desculpas, como fez o prefeito, é um passo importante, mas é preciso ir além. Mais que ensinar que preconceito é feio, é imperioso bani-lo das salas de aula.

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