Editorial: Pré-sal, royalties e a corrida ao Planalto

Cabe um esclarecimento da chapa socialista sobre o pré-sal

Por O Dia

Rio - Qualquer eleitor precisa considerar incontáveis variáveis na escolha de seus candidatos em outubro. No caso do povo fluminense, dentro desse conjunto de assuntos, existem temas sensíveis que podem mudar drasticamente o futuro do estado. Dois deles estão intimamente ligados à exploração do petróleo, que tem o Rio como um dos maiores produtores: o pré-sal e o pagamento de royalties. Ontem O DIA levantou uma pertinente questão. Beto Albuquerque, alçado a vice na chapa de Marina Silva, foi um dos mais ativos líderes da sórdida campanha no Congresso para pulverizar os recursos que, por lei e por direito, são dos estados produtores. No segundo mais alto cargo da República, o que o socialista pode fazer para consumar essa armação?

É relevante que os candidatos se manifestem, e de modo claro, pois a resposta dada ao DIA, via assessores, patinou em temas vagos e subjetivos, como um “novo pacto federativo” — no mesmo tom, aliás, com que Marina se posiciona em relação a temas polêmicos. É evidente que Albuquerque tem todo o direito de propor um uso diferente dos recursos do petróleo, mas jamais se pode achar razoável sua proposta, defendida em inflamado discurso em plenário, de avançar sobre acordos já firmados e de ignorar as justas compensações pela exploração do petróleo. Teríamos um rasgador de contratos no Palácio do Jaburu?

Cabe, ainda, um esclarecimento da chapa socialista sobre o pré-sal. Novamente, por causa das evasivas, não se sabe o que Marina, uma entusiasta das matrizes renováveis, fará com as ricas reservas no litoral. Deixar para depois significará um impacto considerável nos investimentos no estado.

O Rio de Janeiro, nas últimas sondagens de intenção de voto, dá a vitória a Marina. É justo, portanto, que o interesse do estado não seja contrariado, e sobre ele a candidata precisa se posicionar sem rodeios.

Últimas de _legado_Opinião