Editorial: Equação que não pode ficar ao deus-dará

O problema é que 86% das apólices de seguro-saúde no Brasil são empresariais ou coletivas

Por O Dia

Rio - Planos de saúde empresariais foram, durante muitos anos, um importante amparo a milhões de assalariados. Nos últimos meses, porém, aumentos expressivos mudaram drasticamente o cenário, como O DIA mostrou domingo. Quem não pôde arcar com o reajuste, na maioria dos casos muito acima da inflação, ou se viu obrigado a reduzir a cobertura ou a migrar para os seguros individuais. Em todas as situações, porém, o prejuízo e o transtorno eram certos.

A entidade que representa as seguradoras se defende alegando “custos altíssimos”, “inflação médica”, “sinistralidade” e outros palavrões e numeralhas que o consumidor comum não entende. Ainda que haja defasagens de preço a ajustar, não são razoáveis correções de 40% frente a um IPCA anual de 6,51% — índice, aliás, que já é considerado elevado, ou “acima do teto da meta”.

O que agrava a situação é o vácuo normativo nesse universo. Na prática, nada rege ou regula tais planos, sendo quase relações de livre mercado, desde que as partes se entendam. Até o Procon, tão ativo no combate a abusos, diz não ter o que fazer nessa polêmica. Está ao deus-dará.

O problema é que 86% das apólices de seguro-saúde no Brasil são empresariais ou coletivas. O exagerado reajuste, que não pode ser tachado de abusivo por ninguém — salvo quando há interferências da Justiça, que são raras —, tem terreno aberto para fazer caixa nas operadoras. Cabe lembrar que nos planos para pessoa física incidem todos os controles e condições impostos pelo Estado. É, no mínimo, uma excelente oportunidade.

Intervenções invariavelmente são traumáticas e não necessariamente resolvem os problemas, mas o caso dos planos de saúde empresariais não pode ficar à míngua. É necessário haver entendimento, boa vontade e sobretudo menos ganância.

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