Wilson Diniz: Cenário previsível no Rio

No cenário das eleições presidenciais, a tragédia da morte de Eduardo Campos colocou no jogo da sucessão o Sobrenatural de Almeida

Por O Dia

Rio - No cenário das eleições presidenciais, a tragédia da morte de Eduardo Campos colocou no jogo da sucessão o Sobrenatural de Almeida, personagem fantasma idealizado por Nelson Rodrigues que fazia gols inimagináveis pelo Flamengo em jogos contra o Fluminense.

Mas é no quadrangular da disputa das eleições para o governo do Estado do Rio que o tipo rodriguiano volta encarnado no senador candidato Marcelo Crivella, do PRB, fazendo gols contra, com declarações de propostas de campanha inconcebíveis para quem deseja chegar ao segundo turno.

Depois de suas exposições sobre temas polêmicos, como o caso dos moradores da Baixada, sobre o “homossexualismo” e sobre a liberação da maconha, volta a cair nas armadilhas de suas contradições por falta de propostas reais que convençam o eleitorado.

Em queda — como vem anotando o Datafolha —, com 18% de intenções de voto, protagoniza nova enxurrada de propostas desconexas de governo, para alegria de seus adversários. Afirmou que vai “incentivar a atração de indústrias para Baixada, criando a Agência Metropolitana de Desenvolvimento” e que vai “fiscalizar a área de preservação ambiental”. Completando o repertório, disse: “A obra do Arco Metropolitano era para terminar em 2009, mas só agora foi concluída.” Crivella é redundante, copia o que já existe e não sabe que o atraso das obras da estrada que liga Itaboraí a Itaguaí decorreu por impedimento e indenizações públicas acionadas pela Justiça e por normas da Secretaria do Meio Ambiente.

Garotinho (PR), acostumado a adjetivar seus adversários, foi lacônico: disse na palestra da Federação do Comércio, no Rio, “que tem candidato que não sabe colocar uma minhoca num anzol”. Ironizando e recorrendo a sujeito indeterminado, a mensagem tinha endereço certo: Crivella, ex-ministro da Pesca e um candidato sem conhecimento para governar o Rio.

Em passeata no Largo do Machado, Crivella declarou a imprensa que vai “transformar o Aterro do Flamengo num centro de lazer nos moldes do Central Park, de Nova York”. O candidato desconhece que o Parque do Flamengo é administrado pela Prefeitura do Rio, onde são realizados os maiores eventos de atletismo na cidade. A turma do chope da ‘Boca Maldita’ do Bar Belmonte, na Praia do Flamengo, espera que o prefeito Eduardo Paes não autorize passeios de charrete no Aterro, como tem aos montes no parque nova-iorquino.

Com o Crivella despencando, ‘desancorado’ por suas propostas, Pezão assume a vice-liderança (23%) na corrida sucessória. Em ascensão, deve ultrapassar a faixa de 28% nas intenções de voto na reta final do primeiro turno. Lindberg, estacionado na faixa de 11%, blindado pelo crescimento de 3% da candidatura de Tarcísio Motta (Psol) e pelo abandono da cúpula petista do Planalto à sua candidatura, jogou a toalha no ringue no debate da Rede TV, quando surpreendeu a plateia pedindo votos para Crivella e para Motta.

O cenário das eleições no Rio é previsível, pois o Sobrenatural de Almeida estará em outro gramado: o da decisão do campeonato da sucessão no segundo turno da eleição presidencial. A conferir...

Wilson Diniz é economista e analista político

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