Aristóteles Drummond: Sem ideologia e sem religião

A política nacional anda cheia de especulações que fogem à realidade

Por O Dia

Rio - A política nacional anda cheia de especulações que fogem à realidade. O que prova que políticos e cientistas políticos não entenderam a voz e a mente do povo, cuja manifestação mais correta foi nos primeiros movimentos de rua no ano passado. Depois, foi a manipulação política, o radicalismo dos bárbaros e a covardia das autoridades, que se mostraram incapazes de garantir a ordem e o patrimônio público ou privado. O segmento sólido da população — as diferentes e esclarecidas classes médias — pede resultados, eficiência na prestação dos serviços públicos, uso correto de uma insuportável carga fiscal. A sociedade que forma a maioria silenciosa nem por isso é omissa ou alienada.

Na eleição majoritária, de presidente e governadores, o voto não será induzido por discursos ideológicos nem apelos religiosos. Muito menos pelo incentivo à luta de classes, de raças, de poder aquisitivo, que contrariam toda a tradição e a índole do brasileiro. Ideologia e religião, defesa radical das chamadas minorias, podem ter peso na eleição proporcional, mas cada vez menos isso ocorre.

O eleitor quer, em primeiro lugar, resultados, atos concretos de reflexo na qualidade dos serviços na educação, na saúde e segurança pública. Quer uma política econômica responsável, controle da inflação, do emprego e dos ganhos em produtividade que possam se refletir em seus salários. Discursos inflamados, acusações vazias, genéricas, não provocam resultados na massa que vota. A mídia, impressa, imagem e som, informa o que se passa, como se passa e em que resulta. Os candidatos hoje são obrigados a dizer a que vieram, com quem vão e para onde vão. Apelos eleitoreiros dirigidos aleatoriamente — como a “ aposentados e pensionistas”, “ homens sem terras”, “famílias sem teto” — chegam a causar efeito negativo.

Quem já foi governo, e se saiu bem, leva vantagem nesta corrida. Precisa mostrar o que fez e responder pelo que não fez. Ou o que fez mal. No mais, não se contestam números estatísticos em relação a temas fortes como educação, saúde e segurança. E números de crescimento econômico em seus períodos comparados aos demais. A prova de que o eleitor não obedece a partidos, ideologias ou indicações religiosas é que na corrida presidencial, tirando o partido de cada candidato, os demais , mesmo que coligados, estão divididos em todo o país. As alianças não foram eleitorais, mas sim televisivas.

Na jornada atual, certamente levará vantagem quem inspirar mais confiança, credibilidade e compromisso com a paz e a união entre os brasileiros. Quem viver verá!

Aristóteles Drummond é jornalista

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