Wilson Diniz: Desmonte do Estado

Recorro aos manuais da Psicanálise para entender as desconexões da cabeça política de Garotinho quando formula propostas de governo em debates e na propaganda na TV

Por O Dia

Rio - Recorro aos manuais da Psicanálise para entender as desconexões da cabeça política de Garotinho quando formula propostas de governo em debates e na propaganda eleitoral na TV. Com discurso atraente — mas confuso nas interligações de conceitos de mito populista-salvacionista de cunho nacionalista típico dos anos 30 —, contagia os eleitores dos segmentos das classes sociais D e E, das periferias da Região Metropolita do Rio, com promessas de campanha clientelistas.

Na propaganda de TV, o cardápio de propostas é recheado de ideias vagas com perfumarias para uma multidão conduzida pela lógica cega da submissão a um líder intolerante ao diferente, como protagoniza Freud em capítulos de ‘Psicologia das massas e análise do eu’, nos conceitos de “estado hipnótico” e de “contágio” das massas.

Em crise de identidade no campo da psicanálise social, Garotinho sente-se um indivíduo isolado quando seus devaneios não se materializam e não são compreendidos pela maioria do eleitorado mais esclarecido e com senso crítico. Avesso ao diferente e ao contrário, em suas noites de solidão cria inimigos virtuais porque seus sonhos estão prestes a não ser realizados — tornar-se, de novo, governador do Rio.

Em surto psicológico, se compara a heróis que marcaram a história da humanidade, quando, em estado de transe irracional, fez greve de fome por não ter sido escolhido candidato do PMDB à Presidência da República. Escolheu a maior rede de comunicação do país, a Globo, como inimigo mortal aos seus caprichos políticos. Joga pesado com o seu irmão, o candidato senador Marcelo Crivella, chamando-o de “Fariseu” e “rei Saul”. Rotulou o PT de “Partido da Boquinha” e diz que o secretário de Educação do Estado, Wilson Risolia, “tem nome de pastel”. E ainda jogou adjetivos maliciosos no ar, comparando FHC ao traficante Fernandino Beira-Mar. E por vai, perdendo credibilidade pelas suas banalidades e insensatez ancoradas em ambições desmedidas e obstinações, como cita a historiadora americana Barbara W. Tuchman em ‘A Marcha da Insensatez, de Tróia ao Vietnã’.

No seu programa de governo, estabelece como diretrizes básicas para a Baixada Fluminense encher a barriga de seus eleitores com o “Café da Manhã” e o “Restaurante Popular”. Inclui no cardápio que vai aumentar o “Cheque Cidadão” para mais de R$300. Promete rasgar o Código Tributário de ICMS, zerando a alíquota de imposto para empresas que se instalarem nos morros do Rio. Afirma que vai criar o Getam, substituindo a sigla UPPs, consagrada internacionalmente como símbolo percussor bem-sucedido de combate à violência e ao poder do tráfico. Fecha sua equação de governo reeditando a volta do transporte alternativo das vans, sob o manto do submundo da economia subterrânea comandada por milicianos. E omite as maiores realizações de governos com programas de mobilidade urbana para os pobres da Baixada: a implantação das BRTs, Transcarioca, Transoeste e o Arco Metropolitano — estrada que liga Itaboraí a Itaguaí — e da modernização do sistema de novos trens de passageiros, prevista para ser concluída até o fim de 2015. Enfim, com este cardápio de ‘Desmonte do Estado’ e 43% — no Ibope e no Datafolha — de rejeição, é pouco?

Wilson Diniz é economista e analista político

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