Por bferreira

Rio - Causam assombro os desdobramentos da Operação Amigos S/A, deflagrada segunda-feira pela Inteligência da Secretaria de Segurança e detalhada ontem pelo DIA. Difícil apontar o ponto mais estarrecedor: se a longevidade e a resiliência do esquema ou se a figura do chefe do Comando de Operações Especiais, terceiro na hierarquia da pasta e corruptor ativo, segundo as investigações. É louvável o esforço da cúpula da Segurança em extirpar malfeitores, mas preocupa o volume colossal de energia gasto na função — sem falar no tempo desperdiçado pela banda podre em ‘garantir o seu’. É um desvio brutal de atividade.

Grosso modo, os 25 denunciados compunham uma milícia fardada que praticava toda a sorte de abusos com o objetivo de enricar — como todo grupo paramilitar, frise-se. A mecânica da quadrilha era tão bem azeitada — e, pelo visto, discreta — que passou incólume a transferências e à promoção de seu chefe. E assim prosperou, amealhando milhares de reais todos os meses.

Reiteradas vezes este espaço comparou a corrupção na PM a um câncer — e o faz novamente hoje, destacando a gravidade desta última ocorrência. Obviamente, as imagens da prisão dos 22 policiais são alento e prova da competência de gente séria na Segurança. Mas, para a base, o que fica? Como defender a honestidade se o terceiro mais importante da corporação é um bandido?

Aplicar punições severíssimas a essa quadrilha é o primeiro e mais urgente passo. Mas está mais do que na hora de radiografar a gênese da corrupção na corporação, pois, se nada for feito na raiz, em breve o processo será tão eficaz quanto enxugar gelo. Numa eterna briga de gato e rato, perdem-se tempo e dinheiro, e a PM, em vez de combater o crime e proteger a população, ficará presa num redemoinho, olhando para si, desamparando a sociedade.

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