Por bferreira

Rio - Gravíssimo o assalto ao cardeal-arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta, na noite de segunda-feira. O episódio chocou a cidade, que 24 horas antes lamentava mais uma série de arrastões nas praias, a despeito de um propalado reforço do patrulhamento. A sensação que fica, tanto para os cariocas, quanto para os turistas, é a pior possível. Que polícia é essa incapaz de conter roubos na areia e de prover proteção ao mais importante representante da Igreja Católica no estado? Responderão alguns que a PM está mais ocupada limpando a banda podre que se alastra como um câncer pela própria corporação.

Aos fatos. Em tese, o Sumaré, onde mora Dom Orani e onde o Papa Francisco ficou hospedado ano passado, está num cinturão de favelas pacificadas. É ainda um dos caminhos para o Cristo Redentor, cartão-postal maior do Rio, embora pouco usado. No entanto, circular por ali implica correr riscos — tanto para motoristas, quanto para ciclistas ou corredores.

Diante do abandono, foi questão de sorte — ou interferência divina — a quadrilha que atacou o cardeal-arcebispo ter sido tão ‘dócil’, quase arrependida. Por muito menos, nesta cidade, facínoras incineram carros com gente dentro ou crivam automóveis de balas diante da menor das reações.

Os arrastões, praga sazonal do Rio, também depõem contra a nossa imagem. A “antecipação da Operação Verão” não deu muito resultado, haja vista os tumultos e a profusão de roubos. Será assim até o verão?

Não importa se o aumento no número de ataques no asfalto e a proliferação de arrastões são ‘golpe’ com vistas às eleições ou se refletem insuficiência pontual das polícias. É preciso combater essas ocorrências com inteligência e estratégia, pois nem sempre se terá a sorte ou a mão do Cristo para evitar tragédias.

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