Por thiago.antunes

Rio - Esta semana, o IBGE divulgou os resultados da mais recente Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios, um manancial de dados que fotografa diversos aspectos do Brasil — a despeito da lambança do “erro”, informado quinta-feira, no índice da desigualdade, fato que precisa ser esclarecido posteriormente. A edição 2013 da Pnad trouxe notícias boas e ruins, que obviamente já entraram na pauta dos presidenciáveis — o que é mais que louvável, pois o pleito ocorre daqui a dois domingos. A questão é como as informações serão usadas.

O painel merece debate maduro, com análises profundas, mea-culpa e reconhecimentos, de acordo com o caso. Este é o caminho mais difícil. Mais fácil é puxar a brasa para si, movimento que tende a distorções. No tabuleiro político, e segundo as necessidades marqueteiras, bate-se o bumbo e atiram-se pedras de acordo com a conveniência — e a posição nas pesquisas. Nessa toada, reduz-se a discussão a trocas de xingamentos do naipe de “você é feio” ou “eu sou bonita”, e pouco se aproveita da situação.

Aos fatos. A Pnad ratifica avanços, como a queda do analfabetismo, o aumento da renda e a expansão do saneamento. Mas aponta retrocessos, como a estagnação no combate à desigualdade — ponto obscuro do erro do IBGE — e a volta do desemprego, o que sugere o fim do ciclo de bonança da década passada. A inflação em alta, apesar do juro alto, a retração da indústria e as seguidas revisões para baixo do crescimento do PIB brasileiro completam o quadro de apreensão. Eis aí uma pauta extensa para troca sadia de ideias.

Restam 15 dias para que os 141.824.607 brasileiros aptos a votar compareçam às zonas eleitorais e depositem suas esperanças para os próximos quatro anos. A Pnad resumiu o que está dando certo e o que precisa ser corrigido — e quem almeja um cargo no dia 5 de outubro tem chance única de mostrar valor, sem demagogias, populismos ou retóricas rasteiras.

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