Por bferreira
Publicado 23/09/2014 00:44

Rio - O governo terá de cortar um dobrado para explicar o que aconteceu no IBGE com a Pnad 2013, numa lambança ainda mais feia que a derrapada do Ipea. Em abril, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada se equivocara com dados de levantamento sobre estupro. Inicialmente afirmara-se que dois terços dos entrevistados culpavam a mulher pelos ataques, dependendo do modo como se vestisse, um escândalo. A errata corrigiu o montante para 26%. O lapso de agora é numericamente mais sutil, mas suas consequências são mais extensas. No centro da polêmica, a desigualdade, que no texto original tinha aumentado e, na segunda versão, caíra. Justificaram com a linguagem técnica de praxe.

Este espaço atentara para o fato de que a Pnad fotografa o país e aponta o que precisa melhorar. Um erro no trato dos dados poderia pôr tudo a perder, de críticas a extensos programas de governo. É de causar estranheza a falha, na qual não se descartam suspeitas de manipulação e conveniências. Também intriga a rapidez com que se lançou a errata. Por que a mesma competência não foi observada numa revisão antes da divulgação do texto original?

Já se fala em sucateamento dos institutos, o que parece ser um exagero. Erros se cometem às dezenas todos os dias. O que se espera, no entanto, é uma investigação séria para chegar a uma causa crível do problema, não fantasias.

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