Por bferreira
Publicado 23/09/2014 00:17

Rio - O filósofo comunista italiano Antonio Gramsci (1891-1937) afirmava que a escola tinha como função dar acesso ao cidadão comum à cultura das classes dominantes para que eles se tornassem cidadãos plenos. Testemunha ocular de período fértil da história entre o auge e a queda do capitalismo industrial — e de duas guerras mundiais —, disse: “A tendência democrática da escola não pode consistir apenas em que um operário manual se torne qualificado, mas em que cada cidadão possa se tornar governante.”

Gramsci, se estivesse vivo, teria presenciado no Brasil a saga de um imigrante nordestino que, após tornar-se torneiro mecânico no maior centro industrial do país, chegou à Presidência da República sem ter frequentado os bancos das escolas tradicionais. Este operário, em oito anos de governo, implantou o maior programa de alcance social com o resgate de 25 milhões de brasileiros da linha de pobreza absoluta, como mostra o ‘Mapa da Fome’ das Nações Unidas, retirando o Brasil da lista negra de injustiça social e das desigualdades.

Os desafios são muitos para os próximos governantes que passarão nos testes das urnas nas eleições deste ano. Mas eles não poderão deixar de se inspirar na história dos grandes pensadores que protagonizaram frases célebres sobre a Educação que marcaram a humanidade. Reitor da Universidade de Harvard, Derek Bok afirmou que “o governante que diz que não tem dinheiro para Educação não sabe o preço da ignorância”. Estudante e ativista paquistanesa, Malala Yousafzai dá um grito de alerta aos governantes: “Com um livro, um professor e uma caneta, mudaremos o mundo”.

Com a aprovação da Lei de Repasse dos Royalties do Petróleo, que destina 75% de recursos para a Educação, e com a do Plano Nacional de Educação, que reserva 10% do PIB, sancionadas pela presidenta Dilma, abrem-se novos horizontes de mudanças estruturantes no Ensino Básico.

O dinheiro ‘carimbado’ a ser repassado pelo governo federal só terá efeito para resgatar a dívida social do Ensino Básico se os prefeitos diminuírem sua gula em priorizar obras maquiadas de cunho populista, intermediadas por lobistas de empreiteiras para financiar suas campanhas.

O Rio acaba de pular 11 posições no ranking do Ideb, ocupando o quarto lugar na lista nacional dos estados. No entanto, ainda é inadmissível que o Norte Fluminense, como a cidade de Campos dos Goytacazes, esteja entre os piores indicadores da Educação do Ensino Básico. E Campos é o município que mais arrecada recursos dos royalties. Estes baixos indicadores estão presentes em outras cidades da Região Metropolitana, como Duque de Caxias.

Cabe ao próximo governador e aos prefeitos priorizar pautas integradas para eliminar a dívida social com os pobres que dependem da Educação Pública, para, no futuro, adolescentes não concluírem seus doutorados nas universidades do crime nos presídios do Estado. É preciso que os governantes se conscientizem de que só a Educação gera crescimento e desenvolvimento de uma nação.

Wilson Diniz é economista e analista político

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