Editorial: Segurança que se perde na leniência

Em que pese a imprudência dos motoristas, o município tem, sim, responsabilidade nos episódios onde três veículos despencaram do mesmo ponto de um viaduto

Por O Dia

Rio - O Viaduto Brigadeiro Tromposwki é um monumento à leniência das autoridades — e um memorial de mau gosto a inocentes que perderam a vida por causa dela. Não se pode achar ser coincidência o fato de, em 18 meses, três veículos terem despencado do mesmo ponto da via — num dos trechos, diga-se de passagem, mais movimentados da Avenida Brasil. No primeiro acidente, morreram nove, e sete sobreviveram para contar a história e assistir à ladainha de que providências seriam tomadas. Não foram. Outros dois carros caíram, o último na segunda-feira. Em que pese a imprudência dos motoristas, o município tem, sim, responsabilidade nos episódios.

Este espaço diversas vezes discorreu sobre a falta de proatividade dos governantes brasileiros, que historicamente insistem na tática de lamentar o leite derramado. Quando o ônibus da Paranapuan desabou do alto do viaduto, em abril de 2013, prometeram-se mundos e fundos. Agora se sabe que quase nada de concreto foi feito, a não ser a reposição de um frágil gradil. Guarda-corpos e guarda-rodas, à época anunciados, ainda estão no campo das ideias — ou das burocracias. Agora já se fala em radares para conter a fúria dos bólidos em alta velocidade. Não seria o caso de pôr tudo abaixo e reconstruir a via elevada de acordo com as normas de segurança, como a sobre-elevação das pistas?

Não é um caso isolado. No fim de semana, um ônibus do BRT caiu no Mergulhão Billy Blanco, na Barra, acertando outro coletivo, num incidente bem menos sangrento que o da Avenida Brasil, felizmente, mas potencialmente tão letal quanto. Ponto que passará a demandar a mesma atenção que o Brigadeiro Tromposwki, e certamente haverá muitos outros pela cidade, dada a idade avançada de muitas das estruturas. Convém ao município reavaliar seus procedimentos e trâmites de recuperação de vias para que o susto não volte a acontecer.

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