Por bferreira

Rio - 'A fome é amarela’, escreveu Carolina Maria de Jesus em seu relato autobiográfico, ‘Quarto de despejo’. Acrescento: é também humilhante. A humilhação resulta de ver tanta comida em supermercados, tanto desperdício, e a uma pessoa faltar a segurança de que, no outro dia, não terá de mendigar para merecer o mais básico de todos os direitos animais!

A um ser humano pode faltar tudo, até roupa, dependendo das condições climáticas (como é o caso dos indígenas isolados na Amazônia), menos comida e bebida. São os nutrientes essenciais.

A 16 de setembro, a FAO (Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura) divulgou que, no Brasil, entre 2001 e 2012, a miséria caiu de 14% da população para 3,5%, e a pobreza, de 24,3% para 8,4%.

Isso graças ao Fome Zero e ao Bolsa Família, ao baixo índice de desemprego e ao aumento anual do salário mínimo acima da inflação. E também ao Programa Nacional de Alimentação Escolar, que proporciona refeições gratuitas aos alunos das escolas públicas. Ele beneficiou, em 2012, 43 milhões de crianças.

Há hoje, no Brasil — quarto produtor mundial de alimentos —, 3,4 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar. Mas, segundo Walter Belik, especialista da Unicamp em segurança alimentar, são 16 milhões os brasileiros que, todos os dias, dormem de barriga vazia. “O combate à fome é uma questão política, de vontade e interesse dos governantes”, afirma Jorge Chediek, representante, no Brasil, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

No mundo, entretanto, os dados são mais alarmantes. Passam fome 870 milhões de pessoas, ou 12,5% da população do planeta. Falta de alimentos? Não. Produz-se o suficiente para alimentar 12 bilhões de bocas. E somos 7 bilhões. Faltam, sim, justiça, partilha, sensibilidade para com os direitos alheios.

Calcula-se que, no mundo, o desperdício anual de alimentos é de 1,3 bilhão de toneladas. O que causa um prejuízo, segundo a FAO, de 750 bilhões de dólares, sobretudo por falta de reutilização (como adubo orgânico, por exemplo) e reciclagem.

Ao lado dos famintos estão os que comem excessivamente, os obesos. Calcula-se que 15% das crianças brasileiras sofrem de obesidade precoce. Consomem açúcares em demasia, gorduras saturadas, alimentos ‘saborosos’ de pouco valor nutricional.

É hora de nossas escolas introduzirem Educação Nutricional: como se alimentar; como reciclar; como partilhar e não desperdiçar.

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