Por bferreira

Rio - Até que essas eleições estão animadas. Acusações mútuas sobram para todos os lados. Acabou sobrando para quem sempre acusa, mas tem o rabo preso. Garotinho, que não tem nada de menino, esbanjou esperteza. Aos ser inquirido sobre suas contradições políticas ao longo dos anos, saiu-se bem ao lembrar à repórter que todos mudam de opinião, inclusive a própria emissora em que estava. Lembrou que, em termos de contradição, a Globo apoiou a ditadura e hoje se arvora, como juiz imparcial, em cobrar o passado dos candidatos. A apresentadora passou batida por essa, creio que não esperava ser envenenada com o próprio veneno. Teve resposta à altura de quem não está livre de contradições e vira-casacas.

A emissora se imagina investida de um poder imune a críticas e ofensas. Pensa que se tornou um selo de qualidade, até é. Por conta da audiência, o candidato deve passar por suas sabatinas para ter peso. Alguns convidados aceitam a proposta e acabam achincalhados em público, compraram a verdade do selo. Não perceberam o prejuízo para suas imagens públicas já frágeis serem ruídas ali mesmo.

Já Dilma, por exemplo, percebeu e recusou ser sabatinada. Declinou convite do jornal da noite e não foi. Esperta, sabe das coisas. Simplesmente caiu fora, desdenhou o tal poder, mas acabou cedendo. A propósito, tem muitos poderes, pode fazer o que quer. Tem muito dinheiro, Bolsa Família, salário-desemprego, toda a máquina do Estado a seu serviço. Ela pode! A presidenta aparece sempre com enorme topete, isso ela tem, convenhamos? Loura, poderosa, está ainda no poder e é bem capaz que continue — se seguirmos a política do ruim por ruim, ficamos com ela.

É tudo farinha do mesmo saco, são políticos serializados, ‘made in China’. Me perdoem o paralelo e a ofensa ao país em questão, lembro apenas a má qualidade dos produtos vindos de lá como os de cá.

Lindberg Farias ficou apertado na cadeira, sentiu o impacto da sabatina, a apresentadora estava afiada, ele perdeu o rebolado, ficou desmascarado. Como não tem verdade por trás da máscara, logo voltou ao velho discurso de resolver a Saúde, a Educação e a Segurança. Nesse quesito, é promessa de todos, e todos desejam prometer. Aí, podemos votar em qualquer um, os parâmetros que os definem são semelhantes, assim como suas características enganadoras.

Aécio Neves, no jornal da manhã, foi apertado pelos entrevistadores que queriam saber seu programa de governo. Ele sorriu, prometeu revelar depois. Fala muito bem olhando para a câmera, vai desconsiderando a pergunta para a qual ainda não tem resposta e manda bala na verborreia. Diz tudo e nada fala. Programa? Ainda não tem ou não foi divulgado. Melhor assim, não se compromete, pensa. Deve ser esse seu programa, dizer que tem, mas não revelar. E assim não ser criticado no ar, fornecendo munição para ser questionado.

E vem Marina prometendo autonomia do Banco Central. Para que foi falar disso? Forneceu a isca para toda sorte de críticas. Parece que o negócio é conseguir se eleger no blá-blá-blá. Quanto menos se fala, menos se compromete, e menos críticas recebe. A estratégia do Aécio: tudo que você disser pode ser usado contra você! Melhor ficar calado!

E lá vamos nós nesse fim da semana, obrigados a votar, cumprir nosso dever para escolher quem fará do nosso país e estado, o que não queremos, nem imaginamos. No íntimo, sabemos que vem problema, corremos para o abismo do qual não temos saída. Ao que tudo indica, 2015 vai explodir em crise. As consequências de todas as maquiagens vão aparecer implacavelmente revelando o que foi escondido. Um dia, a casa cai, e como cai! Nesse caso, sobre nós!

Eles, diferentemente de nós, uma vez eleitos, não têm mais complicação, tudo fica fácil. Realizam todos os seus sonhos pessoais às custas das promessas de realizarem os nossos. Só um porém: com o dinheiro público no bolso, fica fácil. Mas e o país? E os nossos sonhos? Responda quem puder!

Fernando Scarpa é psicanalista

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