Por felipe.martins

Rio - A candidata ambientalista Marina Silva não deve conhecer trechos dos sermões e citações do Padre Antônio Vieira, defensor dos indígenas brasileiros. Ele profetizara que “para falar ao vento, bastam palavras; para falar ao coração, são necessárias obras. As palavras sem obras são como tiro sem bala, atroam, mas não ferem”. Marina jogou no ar discursos vazios de fundo religioso-salvacionista como se fosse enviada do Espírito Santo com a mensagem maquiada da “nova política” e que vai governar com “os bons e os puros” (Mateus 5:8, e Filipenses 2:15 e 4:8).

A ambientalista, fenômeno do acaso e não do ‘Divino’, joga blefando, escondendo seu projeto político, interpretando como atriz coadjuvante dentro do que se tem de mais conservador no espectro de centro-direita. Isso no momento que o Estado, as instituições e os partidos estão em profunda crise de valores morais e éticos no Brasil, inserindo a religião como âncora do poder.

Oportuna, diante do quadro em crise, abre caminho para chegar ao poder, lançando-se como representante da união de forças de correntes evangélicas dos pentecostais, encantando as elites e os inconformados dos movimentos de rua das massas do eleitorado urbano das capitais do Sudeste — jovens de classe média —, que perderam privilégios pelo baixo efeito distributivo da estagnação do crescimento econômico no governo Dilma.

Hospedada numa sigla nanica e inexpressiva, o PSB, sem força de governabilidade com a maioria dos partidos que comandam o Congresso Nacional, entra na disputa com chances no segundo turno sem pauta de governo para o eleitorado das classes dos menos favorecidos que elegeram Lula e a presidenta Dilma.
Ortodoxa nos seus conceitos, avessa ao debate democrático nos temas legalização das drogas e casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas presa às armadilhas de discursos dos economistas do mercado financeiro, discutindo temas banais como Banco Central independente, esquece a mensagem para o povo e os avanços sociais dos governos de FHC, com o Plano Real, dos doze anos de Lula e de Dilma no combate às desigualdades e a eliminação da pobreza absoluta nessas décadas.

No debate sobre energia, Marina coloca o pré-sal em questionamento com seus conceitos ortodoxos de meio ambiente e vai mais longe, trazendo de volta o debate da redistribuição dos repasses dos royalties do petróleo, colocando o governador do Estado do Rio em posição de expectativas e os parlamentares de plantão na defesa da atual Lei de Repasses dos Royalties.

Confusa no pacto Federativo Republicano, a candidata é inconsequente em trazer de volta o tema dos royalties, pois os estados produtores de petróleo estão comprometidos com receitas futuras da exploração dos novos poços em águas profundas para bancar seus orçamentos.

O eleitores do Rio, na hora de votar, têm que repensar em escolher a candidata da velha política, Marina Silva, com “palavras sem obras” da nova política reinterpretando papel repaginado de um Collor de Mello — caça aos impuros e partido nanico.

Wilson Diniz é economista e analista político

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