Editorial: O mal do naniquismo histriônico na eleição

Em toda eleição há um desfile de tipos, invariavelmente presidentes dos próprios partidos pequenos, que se esforçam em chamar a atenção com gritaria, factoides e bobagens

Por O Dia

Rio - É saudável para uma democracia o pluripartidarismo, pois nele convivem diferentes ideologias e pontos de vista, como já sustentado neste espaço. Esse debate multifacetado seria de vital importância na campanha para a Presidência da República, na qual os problemas e desafios do Brasil poderiam ser analisados segundo os diversos vieses — e, assim, o eleitorado teria plenas condições de apontar o candidato que achasse ser o mais indicado para a difícil tarefa. Nesta eleição, 11 brasileiros se credenciaram para a corrida ao Planalto. No entanto, não necessariamente são 11 ideais em confronto na arena.

Infelizmente, a democracia brasileira não consegue se livrar do naniquismo histriônico: em toda eleição há um desfile de tipos, invariavelmente presidentes dos próprios partidos pequenos, que se esforçam em chamar a atenção com gritaria, factoides e bobagens. O da vez é Levy Fidelix, figura repetida de quatro em quatro anos, até então mais lembrado pelo bigode basto que pelas propostas. Agora se sabe que é homofóbico.

Ninguém é obrigado INGUÉM a apoiar a causa gay, e é legítimo que se milite contra o casamento civil homoafetivo. Mas é inimaginável defender ‘iniciativas’ como a “cura gay” ou campanhas para intimidar ou mesmo eliminar homossexuais. É uma conversa retrógrada, burra, improdutiva. Pena que já gastou tanto tempo da corrida eleitoral no momento mais importante.

Esse desperdício, contudo, em nada contribui para a democracia. Vira motivo de piada no exterior e joga o debate realmente necessário para o segundo plano. A esse naniquismo histriônico só resta o ostracismo.

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