Por bferreira

Rio - Parece haver uma desconsideração generalizada dos candidatos à Presidência da República acerca dos próprios programas de governo. Há quem o altere incessantemente, como Marina; existe quem o fatie e divulgue tal como radionovela, caso de Aécio; e testemunha-se a que nem sequer o divulgou, o que parece acontecer com Dilma. Lapso lamentável num ponto que, no entendimento do eleitorado, deveria ter tido atenção total desde o início.

Como defendido neste espaço há quase um mês, a carta-compromisso de um postulante ao Planalto deveria vir rodeada de uma liturgia. Precisa resumir o pensamento do político, esclarecer suas propostas e eliminar dúvidas acerca das intenções, crenças e alianças que compõem a coligação. Não se dá à luz um documento desse naipe da noite para o dia, sendo necessário um sem-número de horas sentadas na mesa. Avaliando a postura dos três principais postulantes, chega-se a resultados totalmente diferentes do desejado.

Parece sobressair o pensamento de que ninguém lê ou cobra programas de governo, ou que basta vomitar quaisquer palavras envernizadas, ou caprichar no marketing — é a vitória da imagem sobre a ideia, da aparência sobre a essência, do instantâneo sobre o duradouro. Também fica difícil acreditar piamente no que juram os presidenciáveis, já que não há um documento crível para o qual se pudesse pôr as mãos no fogo. O pior é que a eleição é daqui a 72 horas, e pouco fará diferença mostrar o programa agora. Era algo para ser feito no início do ano. Pena que se decida a eleição desse modo atabalhoado.

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