Por bferreira

Rio - Nos debates na televisão, nas páginas dos jornais, ou no horário eleitoral gratuito a educação ganha a importância que deveria ter e não tem na vida real, na cidade em que vivemos, no país que queremos ser e ter. A escola de tempo integral, sonho de Darcy Ribeiro e do Engenheiro Leonel, voltam à tona e ganham destaque na voz das diversas correntes partidárias mais de 30 anos depois que foram implantadas, criticadas e ou incensadas.

É lógico que foram a melhor ideia naquele tempo e ainda são, neste momento. Continuam sendo sonhadas e, na minha modesta opinião, precisam ser feitas e estimuladas para todos. Porque é que não se faz, apenas se promete, é outra questão. E cada partido ou cada candidato tem lá suas explicações, as promessas se sucedem e a realização, a ação, não chega nunca. Mas quando chegar, se um dia chegar, precisa contemplar outros conhecimentos que não apenas os ensinamentos formais, o programa de ensino que existiu no século passado e que ainda hoje formam os currículos escolares. Precisam ser revistos. É preciso muito mais que saber português, história, geografia, matemática e ciências.

É preciso ampliar a visão de mundo. É preciso aprender a compreender o nosso tempo, seus avanços e retrocessos usando o conhecimento. É preciso aprender a lidar com as questões do dia a dia, como o lixo que produzimos ou o consumismo que nos consome. É preciso saber que a lei é para todos e incluir neste todos, você e cada um de nós. Não dá mais para criticar os corruptos e continuar a praticar pequenas corrupções no dia a dia, tipo dar ou oferecer propina para não ser multado ou furar fila. Não dá para parar o carro onde quer, mesmo que seja só por um minutinho, atrapalhando o ir e vir dos outros. Não pode fechar o cruzamento. É preciso obedecer aos sinais de trânsito, atravessar a rua usando a faixa de pedestres. Não pode beber álcool e dirigir. Não é bacana descartar seu lixo sem antes separar o que é reciclável do que é orgânico. Não é preciso buzinar toda vez que o sinal de trânsito abre. Não dá para continuar achando que a água é abundante, que não tem custo e nunca vai acabar.

É preciso entender que o barulho que você faz atrapalha o outro, no restaurante, na vizinhança, no elevador. Não basta achar que você é o último biscoito recheado do pacote porque critica a tudo e a todos.

É preciso saber viver em sociedade, em comunidade, ou em tribo. E viver em grupo significa não ignorar o outro, mas antes respeitá-lo para exigir e ter respeito também. E se as pessoas não nascem sabendo destas coisas é preciso ensinar a elas. Consumir é muito bom, alimenta a economia, move o país mas você não precisa ser refém do consumo. Você pode pensar, refletir, fazer contas, se planejar. E se ainda não sabe ou não pensou nisto, porque não começar agora? Chega de se achar superior a isto ou que isto não lhe diz respeito. Acorda, Alice! A vida é uma via de mão dupla.

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